Cidades
Alagoas trata mal o turista estrangeiro
CAÍQUE MARQUEZ Ninguém tem dúvida de que as praias do litoral alagoano estão entre as mais belas do mundo. De Maragogi, no norte do Estado, à Praia do Peba, na foz do Rio São Francisco, no extremo sul, são mais de 300 quilômetros de águas mornas e paisagens paradisíacas visitadas todos os anos por mais de um milhão e 800 mil turistas. Mas basta uma análise cuidadosa dos números desses visitantes para perceber que há algo de errado no setor. De cada 100 turistas que visitam Alagoas, apenas seis vêm de outros países ? a maioria da Argentina. Uma proporção insignificante quando comparada a de outros Estados, que comprova o que os agentes e profissionais do setor já sabem há algum tempo: Alagoas não tem infra-estrutura para receber turistas estrangeiros. A GAZETA DE ALAGOAS pediu a especialistas na área e aos próprios turistas que indicassem por que o Estado ainda não entrou na rota da maioria das agências internacionais. O resultado foi uma extensa lista de problemas que inclui a falta de equipamentos no aeroporto, uma inconsistente política de marketing para promover o Estado em outros países, profissionais despreparados no setor, esgotos a céu aberto nas praias, o imenso número de pedintes nas ruas e a desonestidade de restaurantes e outros prestadores de serviço que cobram preços ?diferenciados? para estrangeiros. ?Com todos esses problemas, vamos ficar dependendo do turismo nacional e de alguns poucos visitantes sul-americanos?, diz o empresário alagoano Afrânio Lages Filho, proprietário da agência de viagens Aeroturismo. ?Afinal, ainda não temos condições de receber o turista europeu ou norte-americano?. O pior é que, sem a infra-estrutura para receber esses turistas, o Estado fica virtualmente fora da rota das mais de 700 milhões de pessoas que vivem nesses países e têm a maior renda per capta do planeta. Segundo a maioria dos entrevistados, o recado para o atual governo é claro: além de investimentos milionários, como na construção do Centro de Convenções do Jaraguá, é preciso ficar atento para resolver problemas simples ? e menos visíveis ? que afetam o dia-a-dia do turista em Alagoas.