Cidades
LEI ASSEGURA DIREITO DE APAGAR CICATRIZES
Um aborto, uma cicatriz na perna com treze pontos, cárcere privado, humilhações. Esse drama foi vivido por uma alagoana de 30 anos que pediu anonimato, após três anos e meio com um companheiro. A fase foi superada para a jovem mulher, que escondia as agressões da família. As marcas, porém, persistem. ?Tenho uma cicatriz enorme. Treze pontos na parte interna da coxa, bem perto da femoral, de um caco de vidro que o meu ex jogou em mim. Foi a última agressão física dele contra mim. A última física?, relata a mulher. A história é real e vivida por milhares de alagoanas que têm a chance de apagar as sequelas físicas de agressões sofridas após a sanção da Lei 13.239, sancionada pela presidente da República Dilma Rousseff (PT) no ano passado. O texto garante que hospitais e centros de saúde pública de todo o País, ao receberem a mulher ferida, devem informar às vítimas da possibilidade de acesso gratuito à cirurgia plástica para a reparação das lesões ou de sequelas de agressão comprovada, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). VIOLÊNCIA A alagoana que decidiu contar sua história à Gazeta de Alagoas lembra que foram várias idas e vindas antes de decidir dar um ponto final no relacionamento marcado pela violência. Em 2013, na sexta-feira de carnaval, o agressor tentava uma reaproximação com a vítima ? como fizera tantas outras vezes ? com promessas que nunca se cumpriram. ?Ele morava no bairro Cruz das Almas e eu estava morando com meu pai, porque havia perdido um bebê depois uma surra que ele me deu. Saí escondida para comprar almoço para ele e, quando cheguei em seu apartamento, achei droga e garrafas de cerveja?, relata.