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A FOR�A EST� COM AS MULHERES

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No dia 8 de março, o mundo se volta para as mulheres, que vivem um dia especial, de reconhecimento das lutas e conquistas históricas. Muitas carregam a satisfação de ter conseguido espaço no âmbito profissional, de afirmar responsabilidades femininas no casamento e na família, mas ainda buscam encontrar, nos demais dias do ano, o respeito e a igualdade. Em muitos casos, a luta começa no primeiro sopro de vida. A professora Maria Dolores, nascida no município de Mata Grande há 45 anos, é um exemplo. O pai era metalúrgico, a mãe costurava e lavava roupa para sustentar cinco filhos. Aos dois anos, Dolores teve hepatite e passou a sentir dores articulares e dificuldades para se movimentar. Só aos seis anos foi diagnosticada com artrite reumatoide infanto-juvenil. Em virtude das limitações físicas e financeiras e por viver internada em hospitais, ela passou a estudar sozinha, com a ajuda dos pais, que mal eram alfabetizados. ?Minha primeira escola foi um barraco, aos 9 anos. Eram 30 degraus para subir e descer diariamente. Muitas vezes, minha mãe me carregava, e outras, eu subia pulando com o bumbum no chão, ou de joelhos. Algum tempo depois, mudei para uma escola mais acessível, mas não tinha cadeira de rodas, então, caminhava de muletas por 1,5 km, com minha mãe, que precisava voltar para casa e cuidar dos meus irmãos. Quando chegava na escola, estava com os braços ensanguentados, do esforço?, diz. Aos 14 anos, começou a trabalhar vendendo alguns produtos para ajudar nas despesas. Conseguiu voltar para a escola e começou a dar aulas a crianças vizinhas. Só na fase adulta conseguiu comprar uma cadeira de rodas motorizada, depois de juntar dinheiro por cinco anos. Em 1998, prestou vestibular, passou na primeira chamada, fez a graduação, e, no segundo ano da graduação, o pai faleceu e tudo ficou ainda mais difícil, pois teve que ajudar com as despesas de casa. Em 2014, prestou concurso para a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com mil candidatos inscritos, e passou em 1º lugar na lista geral. Maria Dolores nunca desistiu de estudar, sonhava em fazer Pedagogia e hoje é professora da Ufal, tem pós-graduação e escreveu quatro livros. A deficiência tornou-se um estímulo à superação. ?Toda mulher é águia, tem que acreditar no poder interior que possui e alçar voos cada vez mais altos?.

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