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Sem DNA, corpos s�o sepultados como indigentes

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Desde o dia 18 de fevereiro passado, Marli Maria Teixeira espera para saber se o corpo encontrado carbonizado próximo a Jequiá da Praia é o do seu filho Leandro Miguel Teixeira dos Santos, de 16 anos. O adolescente foi até o município um pouco antes do carnaval e desapareceu. Só que, passados 30 dias, ainda não há previsão para o exame de DNA ser feito. Isso porque, durante todo o ano de 2015, Alagoas ficou sem laboratório para realizar os exames de DNA em corpos não identificados. O contrato com o Laboratório de DNA Forense da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), coordenado pelo professor Luiz Antônio Ferreira da Silva, encerrou-se em 2014, deixando o Estado sem local para fazer os exames. Rosana Coutinho, perita criminal, confirmou a informação sobre o fim do contrato, mas explicou que os exames estão sendo feitos no Laboratório de Genética Molecular, Genômica e Proteômica (Gempro), dentro do Centro de Ciências Agrárias (Ceca). A assessoria da Ufal e o diretor do Ceca, o professor Gaus Silvestre de Andrade Lima, negam que os exames estão sendo feitos por lá. A perita criminal, que está concluindo seu doutorado no Gempro, garante que os exames estão sendo feitos. ?O contrato foi assinado em 30 de novembro de 2015 e publicado no Diário Oficial do Estado no dia 23 de dezembro daquele ano. A partir do momento em que o contrato é assinado, ele fica vigente?, declarou Rosana, que mostrou dados comprovando a realização de dez exames de DNA feitos no laboratório instalado no Ceca. Em 2015, seis exames foram feitos. Este ano, dez já foram realizados e mais dez estão sendo processados, mas nenhum deles é do corpo carbonizado que Marli Maria Teixeira acredita veemente que seja o do seu filho. ?É o meu filho?, diz, sem nenhuma dúvida, a mãe desesperada. Como a capacidade no refrigerador do Instituto Médico Legal (IML) de Maceió é de apenas 12 gavetas, os corpos não identificados ficam pouco tempo lá e acabam sendo sepultados como indigentes. O possível corpo do filho de Marli é um dos 15 que foram enterrados nos cemitérios de Santo Antônio, em Bebedouro, e de Nossa Senhora do Ó, em Ipioca.

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