Cidades
DOR AFETA O CORPO E A MENTE DE ENFERMOS
Desde 2003 afastada da função de digitadora, Sandra Silva, de 49 anos, até brinca com o rosário de doenças do trabalho que adquiriu ao longo dos anos. Consegue sorrir e ter uma vida feliz ao lado dos filhos, apesar dos choros diários pelas fortes dores que sente nas articulações. ?Tenho um lado todo podre?, diverte-se. Apesar da alegria, Sandra tem graves problemas de saúde devido à rotina laboral. Trabalhou muitos anos em dois hospitais filantrópicos de Maceió (na recepção, abrindo cadastros com datilografia e digitando laudos de ultrassonografia, posteriormente). No último emprego, passou boa parte sozinha digitalizando centenas de resultados dos exames por mês. A colega de trabalho precisou tirar uma licença e a empresa não fez a compensação, sobrecarregando a única funcionária do setor, que era justamente Sandra. ?As dores apareceram logo. Primeiro no cotovelo, puxando para o punho. Era bastante desconfortável, mas eu não me entreguei. Dava conta do meu trabalho e não deixava acumular serviço para o outro dia. Digitava rápido e a empresa nem percebia a falta de funcionários no setor. Continuei trabalhando e senti formigamento no centro da mão. Depois nem conseguia mais fechá-la. Foi quando procurei ajuda médica. Fui medicada, tive os braços imobilizados e voltei ao serviço trinta dias depois. O diagnóstico era de tendinite nos braços, que evoluiu para ombros, cotovelos, punhos, calcanhares e até no quadril?, relata.