Cidades
Supermercados lideram afastamentos
O chefe do setor de Fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho em Alagoas, Elton Machado, confirma que o ramo de supermercados tem afastado mais trabalhadores por causa das LERs, chegando a 20% do quadro de pessoal em determinados estabelecimentos. Os operadores de check-out (trabalham no caixa e afins) são os mais prejudicados. Segundo ele, essas empresas não têm apenas os problemas ergonômicos, mas risco de queda de altura, manuseio de equipamentos, uso de câmara frigorífica com temperaturas baixas e trabalho com empilhadeiras. ?O que mais afasta são os problemas de transtornos mentais e osteomosculares. O caixa tem trabalho repetitivo e ainda faz com postura inadequada. A maior dificuldade, atualmente, é saber que esse trabalhador está mesmo adoecendo. Infelizmente, o trabalhador somente procura os órgãos oficiais depois de estágio avançado da enfermidade, o que deveria ser feito bem antes, para que o Ministério do Trabalho pudesse atuar com mais rapidez?, explica Machado. Ele diz que jornada de trabalho, banco de horas de difícil controle, escala de folga não adequada à legislação são situações que podem gerar doenças no trabalhador. Mulheres são mais acometidas que os homens por terem jornada dupla (além do labor ainda fazem os serviços domésticos e cuidam da família em casa). Quanto aos bancários, o auditor fiscal do trabalho informou que, apesar da atividade estar cada vez menos ligada aos esforços repetitivos e às posturas inadequadas, as LERs não deixam de acometer os empregados. Notadamente, segundo ele, a pressão psicológica tem sido a maior causa de afastamento do serviço. ?Muitos estão sofrendo com a Síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional. São pessoas que não aguentam mais saber que precisam estar naquele ambiente de trabalho?.