Cidades
Moradores ainda aguardam reparos
Dois anos se passaram após a queda de um dos três silos do Moinho de Trigo Indígena S/A, o Moinho Motrisa, e os donos dos imóveis mais atingidos, localizados na Vila Nossa Senhora do Carmo, ainda esperam indenização da empresa. O acidente aconteceu na tarde de 7 de abril de 2014, na Avenida Comendador Leão, no bairro do Poço, em Maceió. Cinco pessoas ficaram feridas, diversos imóveis e veículos ficaram danificados, mas não houve nenhuma morte. Um laudo realizado por uma empresa de Belo Horizonte, contratada pelo próprio Moinho Motrisa, mostra que, até o acidente, nenhuma mudança havia sido realizada na armação construída em 1974 para sustentar os silos, mesmo após reformas que aumentaram o peso de todo o conjunto. No meio de tudo isso, próximo aos escombros da estrutura de concreto armado, as pessoas foram reaprendendo a viver, e voltaram aos poucos para os seus lares, algumas depois de uma longa espera. Mas nem todo mundo teve essa oportunidade, como é o caso de Judite Maria da Silva, de 66 anos. Enquanto sua casa não passa por reforma, ela ainda vive em uma residência custeada pela empresa. A aposentada morou por cerca de 30 anos na primeira casa do lado esquerdo da vila, a que fica mais próxima ao silo e foi parcialmente destruída. ?Eu lembro de pouca coisa. Ouvi um barulho e saí correndo de casa, quando tudo desabou?, relata Judite, que não tem família. Ela abriu as portas do lugar onde morava à reportagem do G1. O mato e o mau cheiro tomaram conta do imóvel e dividem o espaço com o que sobrou das lembranças da aposentada. ?Sinto muita vontade de voltar, mas não tenho condições, pois tudo continua destruído?, desabafa a aposentada. Desde o acidente, Judite mora em uma casa alugada no mesmo bairro. Além da moradia, a empresa também paga à proprietária do imóvel alugado para auxiliar a idosa nas tarefas domésticas. Para Meire Cavalcante Saraiva, de 73 anos, e também vizinha da fábrica, a situação foi diferente. Segundo Meire, ela voltou ao local mesmo após o juiz Marcelo Tadeu Lemos de Oliveira realizar uma visita técnica aos imóveis e condenar a cozinha dela.