Cidades
Destrui��o da linha de recife causa eros�o no Litoral
FÁBIA ASSUMPÇÃO A geóloga Rochana Campos de Andrada Lima, do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) está em fase de conclusão de um estudo que analisa as causas da erosão no litoral de Maceió. A conclusão preliminar do estudo, que só deve ficar pronto no final de março, aponta como principal causa para o aparecimento de erosão em alguns trechos do Litoral a destruição das linhas de recife. ?Nas áreas onde a destruição dessa linha de recife foi mais acentuada houve erosões, a exemplo da Pajuçara e de Ipioca?. A ocupação desordenada das áreas litorâneas foi outro motivo para o surgimento de erosões em alguns trechos da costa. O trabalho intitulado de Estudo da Erosão Marinha e Zoneamento Geoambiental de Parte da Planície Costeira do Município de Maceió faz parte de uma tese de doutorado que vai ser defendida em 2003. Para concluir o estudo, Rochana aguarda a chegada de equipamentos cedidos pelas universidades Federal de Pernambuco e do Ceará (UFPE/UFCE), para realizar a análise da área considerada mais crítica em termos de erosão: a Praia de Pajuçara. Área de estudo A área de estudo abrange 21,5 quilômetros do trecho da zona costeira de Maceió, desde o canal de comunicação do complexo estuarino lagunar Mundaú/Manguaba, próximo à sede do Detran, até o Rio Jacarecica. Rochana explica que o projeto, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), tem como objetivo efetuar um diagnóstico sobre os problemas de erosão no litoral de Maceió, bem como obter informações básicas que possibilitem subsidiar programas de políticas públicas de gestão e gerenciamento costeiro, e fornecer dados para a potencialização do turismo na planície costeira. +++ Histórico da planície costeira também consta da pesquisa Entre os meses de março do ano passado a fevereiro deste ano, foram realizados oito perfis de praias mensais, distribuídos nas praias do Pontal da Barra, Avenida, Pajuçara, Jatiúca, Cruz das Almas e Jacarecica. Rochana explica que a área de estudo está localizada em uma região de crescente expansão urbana, principalmente a partir da década de 70, quando foi desencadeada uma maior ocupação da planície costeira. Entre os agentes impactantes, que também estão sendo cadastrados e analisados, estão a presença dos cemitérios e postos de combustíves, resíduos sólidos e poluição hídrica. O estudo abrangeu um levantamento histórico da planície costeira de Maceió, como era antes da ocupação. Um dos documentos estudados foi um mapa elaborado pelo geólogo holandês Barleus, datado de 1647. E outro datado de 1919, elaborado ?por Brandão? que descreve a planície costeira de Maceió como alagadiços, campos de dunas e as migrações da boca da barra do sistema estuário lagunar Mundaú/Manguaba. Com o processo de urbanização, essas áreas alagadiças acabaram sendo aterradas, o que influenciou a lista de costa. O levantamento histórico mostrou, também, que a primeira vítima da erosão na área de Pajuçara foi o famoso Gogó da Ema ? que chegou a ser símbolo da cidade ? em 27 de julho de 1955. Segundo Rochana, o levantamento histórico mostra que dos anos 20 a 50, muitos nativos aproveitavam a maré baixa para detonar os recifes, ricos em carbonatos, para produção de cal. Isso também era comum em áreas como Ipioca e Paripueira, onde hoje a falta de proteção dos recifes estimula a erosão. Medidas de contenção Rochana salienta que não há nada de errado com as medidas de contenção adotadas para deter a erosão, a exemplo da construção dos muros na Praia de Pajuçara. Ela alerta, no entanto, que é preciso evitar que novas ocupações desordenadas, principalmente em áreas de desembocaduras de rio venham s acontecer no futuro. Outra observação feita pela geóloga é em relação à limpeza das praias, na qual estão sendo cometidos alguns erros. ?Na Praia da Avenida, próximo à antiga feira de carros, por exemplo, a limpeza não deveria ser feita na parte seca por tratores?. Segundo Rochana, a passagem desses tratores já destruiu a vegetação nativa, fazendo com que a areia da praia vá parar no meio da pista. ?Nessa área, a prefeitura deveria promover o plantio da vegetação nativa, a exemplo da salsa da praia. O estudo conta com o apoio do hirogeólogo do Instituto do Meio Ambiente, Ricardo José Queiróz e dos consultores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Paulo de Nóbrega Coutinho e Valdir do Amaral Vaz Manso, além de estudantes do Departamento de Geografia da Ufal. (MFA)