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Artes�os lutam para manter viva tradi��o

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Foi no vaivém da agulha que atravessa incansavelmente o tear de filé, que a artesã Mariluze Alves, de 53 anos, viu sua vida passar. Com os ensinamentos da avó, ela aprendeu a bordar aos 12 anos e, desde então, não parou. Há três décadas, a artesã passa os dias em sua loja no Mercado do Artesanato, na Levada, em Maceió, de onde extrai a única fonte de renda, revezando-se entre produzir o filé, vender os bordados e sonhar com um futuro próspero. ?Eu sobrevivo do que ganho aqui no mercado e mal dá para comer e pagar o material que compro. Com meu marido desempregado, tenho que me virar e vender o filé, o bordado cheio, o ponto cruz e o rendendê. E o lucro tem sido cada vez menor, em torno de cinco, dez reais nas peças maiores e três reais nas menores. Quando eu consigo vender uma roupa que fiz, ganho mais. Mesmo assim, não desisto do que eu faço, e olhe que tentei fazer faxina em casa de família, machuquei a coluna e voltei para cá. E vou continuar aqui até morrer?, diz. Assim como Mariluze, cerca de 300 artesãos preenchem o mercado que ficou conhecido pelos produtos que oferece. São roupas feitas em filé, labirinto, rendendê, rendas de bilro; bolsas e cestos traçados em palha de ouricuri ou fibra de coqueiro; réplicas de animais esculpidos em madeira e uma diversidade rica de detalhes. Basta uma volta pelo mercado para perceber que o lugar está repleto de gente que dedica a vida ao artesanato alagoano. No entanto, o sentimento compartilhado pelos permissionários do Mercado do Artesanato é de um cenário desfavorável para essa atividade. De acordo com os artesãos, as vendas são impulsionadas pela presença dos turistas, principalmente na alta temporada, mas pelo jeito eles parecem fugir do lugar. ?Quem mais gasta é o turista, que olha, se encanta, escolhe um produto e ainda leva presentes. O povo que mora aqui, até procura a gente, mas não compra do mesmo jeito. E na última temporada, os poucos turistas que apareceram, não levaram muita coisa?, contou Maria José, de 65 anos. Com o baixo lucro, Maria José e sua vizinha de loja, Alcina Andrade, de 67 anos, encontraram outro meio de comercializar as peças que produzem, fora do mercado. ?Nós temos lucrado mais com as encomendas, feitas para clientes que nos conhecem e que não vêm até o mercado. Recentemente eu fui entregar uma encomenda em um banco, e duas funcionárias que viram a blusa de crochê que eu fiz, gostaram e fizeram seus pedidos também?, relatou Alcina, que tem uma neta que usa as peças que ela cria e tem divulgado o trabalho da artesã.

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