Cidades
Medo do desemprego ronda alagoanos
A crise econômica que entra pelo terceiro ano consecutivo e mantém o País em recessão com a derrubada do Produto Interno Bruto (PIB) em mais de 3%, registrados em 2015, também traz consigo o fator desemprego. Em Alagoas, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados na última sexta-feira, 22, pelo governo federal, houve redução de 6,79% no nível de empregos nos últimos 12 meses, o que representa um saldo negativo de 25,4 mil nas vagas formais no Estado. A entressafra agrava o cenário. A situação tem deixado os alagoanos com medo e sob a constante ameaça de ficar fora do mercado do trabalho. A instabilidade política é apontada como uma das causas do atual momento e a necessidade de novos rumos para a economia, a partir de uma definição para o setor por parte do poder público é considerado como crucial para a retomada do crescimento. Enquanto isso não acontece, os trabalhadores vivem dias de insegurança e a disputa por vagas no mercado se torna mais acirrada, assim como a permanência no posto. O resultado, segundo a economista e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Luciana Caetano, também é a valorização da meritocracia, ou seja, os postos de trabalho acabam ocupados pelos melhores profissionais. ?Os desempregados com menor capacidade ou experiência ficam à margem do processo e com maior dificuldade de reinserção no mercado de trabalho?, avalia. Por outro aspecto, a constante insegurança e a sensação de perder o emprego também acaba por gerar até mesmo problemas psicológicos no trabalhador, principalmente se ele se sentir deslocado de todo o contexto social. ?O desemprego afeta o indivíduo de todas as formas, porque trabalhar remete a fazer parte da sociedade, estar inserido na comunidade como um todo. Quando se perde isso, a pessoa pode ficar deslocada e se sentir desraizada. O emprego é condição básica para o ser humano?, destaca o psicólogo Cícero Fonseca.