Cidades
As sequelas deixadas pela tecnologia
Crianças e Adolescentes passam dias grudados nas telas touch screen para postar selfieis, fotografias. A garotada manuseia com invejável habilidade as teclas para mandar mensagem via WhatsApp, Instagram ou no Facebook para os pais e amigos. As novas tecnologias disponíveis nos celulares, tablets, smartphone, notebook e computadores se por um lado democratizam a informação, ampliam o conhecimento, por outro criam uma geração de sequelados. Milhares de crianças e adolescentes apresentam distúrbios e sequelas na coordenação motora. Pesquisadores, fisioterapeutas e sociólogos do mundo inteiro estão preocupados com as sequelas que as novas tecnologias causam nas camadas mais jovens da população. E o pior, cresce a cada minuto o número de dependentes infantis. A maioria usa a tecnologia para suprir as carências afetivas dos pais que passam os dias no trabalho, vencer a timidez, a solidão e ampliar o leque dos grupos de amizades. Nos consultórios de Alagoas cresce o atendimento de crianças e jovens com problemas nos tendões, na coluna cervical e no pescoço. A estudante Maria Eduarda Araújo, de sete anos, passa as manhãs grudada nos jogos de computador. A menina se desliga do mundo e fica com o olho fixo na tela. Quando está conectada, fala o mínimo possível. Numa rápida conversa com a Gazeta, a garota disse que costuma jogar no computador na hora do trabalho dos pais. Além de jogar, também divide boa parte do tempo e os finais de semana conversando com as amigas no WhatsApp ou vendo TV. As rede sociais funcionam como se fosse uma babá eletrônica para ela. As crianças começam a ter acesso aos jogos de computadores com três anos de idade. Pouco tempo depois, manipulam celulares e smartphones com extrema facilidade. Esses consumidores das novas tecnologias são de todas as classes sociais. Os filhos da classe média têm mais equipamentos eletrônicos para mantê-los conectados 24 horas, sem folga inclusive nos finais de semanas. Os filhos de trabalhadores com até três salários mínimos geralmente têm à disposição celulares com capacidade média ou modestos tablets que executam a maioria das tarefas dos equipamentos sofisticados. O estudante Vinícius Santos, 15, matriculado no 1º ano do Ensino Médio da escola Moreira e Silva, no Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa), tem quatro equipamentos, e sem sair de casa se mantém conectado com os mais de 700 amigos das redes sociais. ?Tenho um computador, tablet, notebook e o smartphone. Só não fico conectado quando estou dormindo. Mas se um deles vibrar eu acordo na hora?.