Cidades
Sobras v�o ao lixo em 9 mercados
Em Maceió, são nove mercados públicos espalhados e bem movimentados. O maior deles, o da Produção, no bairro da Levada, ocupada uma área privilegiada e ampla da parte baixa da cidade. Por ele, estão espalhados aproximadamente 3 mil permissionários, divididos em boxes e bancas dentro e fora do espaço coberto. E com o vaivém de consumidores e comerciantes, as vendas acontecem com generosidade, que nem os responsáveis do município sabem quantificá-las. O desperdício é inevitável da mesma maneira. Estima-se que 30 toneladas de resíduos são produzidas diariamente no Mercado da Produção, sendo a maior parte delas compostas por alimentos de sobra. Não se tem uma estatística precisa ? e nem esses dados são compilados pela Secretaria Municipal do Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária (Semtabes) ? do que é vendido, faturado e desperdiçado no Mercado da Produção. Sabe-se que as sobras, aos montes, vão parar no chão, nas latas ou contêineres de lixo e quase nunca na mesa de quem mais necessita. Até que algumas iniciativas estão em andamento. Os gestores pensam em adotar uma política ambiental para destinação correta do lixo e das sobras, mas tudo está ainda no campo das ideias. O assessor da Diretoria de Abastecimento da Semtabes, Artur Nogueira, que já atuou durante 40 anos na Ceasa, não tem receio em dizer que, em Alagoas, não existem pessoas qualificadas e empenhadas para lidar diretamente com desperdício de alimentos. Ele cita que o único estado que se preocupou com esse assunto foi São Paulo, que tem a maior central de abastecimento do Brasil. Nogueira destaca que as hortaliças estragam dez vezes mais rápido do que os tubérculos (raízes). E nem sempre, de acordo com ele, as superofertas desses produtos atraem a demanda exata de consumidores. Muitos preferem comprar suas mercadorias da feira semanal ou mensal em mercadinhos mais próximos e enfrentam transtornos se forem se deslocar até o mercado em outro bairro mais afastado.