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Ceasa desperdi�a 1,5t de alimentos por dia

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Enquanto milhares de alagoanos vivem na miséria e não conseguem, ao menos, fazer as três principais refeições do dia, toneladas de alimentos são jogadas no lixo diariamente em Maceió. Somente na Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa), no Santos Dumont, que vende a atacado, cerca de 1,5 tonelada de hortifrutigranjeiros é desperdiçada por não ter sido vendida e estragou ou simplesmente se perdeu no manuseio ou transporte de longa distância. Nos mercados públicos da capital, a situação é ainda mais grave. Uma montanha de resíduos é produzida por dia e, no meio, vão frutas, verduras, carnes e cereais que poderiam estar na mesa dos famintos antes mesmo de estragar. A Ceasa é o maior espaço de comercialização em grosso do Estado, vendendo, aproximadamente, sete toneladas de alimentos mensalmente (já foram 12 toneladas). O alvo são grandes empresas, a exemplo de mercados e hospitais, abastecendo não somente a capital, mas vários municípios do interior também. A oferta é produzida aqui ou trazida de estados mais próximos, principalmente de cidades do interior de Pernambuco (Garanhuns, Vitória de Santo Antão e Caruaru). São 60 boxes e pelo menos 800 marcações de seis metros quadrados no chão, que são as áreas destinadas aos pequenos comerciantes. Com tantos números envolvidos, a chance de desperdício aumenta muito. E o Estado não dispõe de qualquer programa social, alimentar ou ambiental que dê um destino a essa quantidade absurda de alimentos que se perde por falta de demanda. Como os consumidores são muito exigentes, um simples amassão na fruta já é motivo para não levá-lo na cesta de compras. Qual será o destino desse fruto e de tantos outros na mesma condição? Os tonéis de lixo. As sobras acabam tendo como destino o Aterro Sanitário de Maceió ou os lixões a céu aberto espalhados pelos municípios que ainda não se adequaram às normas federais de destinação correta dos resíduos produzidos. No caso da Ceasa, projetos como o Mesa Brasil, capitaneado pelo Sesc, além de pequenos asilos e orfanatos, pegam materiais que sobraram por conta própria, negociando diretamente com comerciantes do local.

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