Cidades
Fam�lias montam barracos em viaduto
O marido, cortador de pedras, perdeu o emprego. A esposa e os dois filhos regressaram à capital alagoana para viver numa favela, até decidirem invadir casa em um residencial no município de Rio Largo, de onde foram despejados há pouco mais de um mês. Não tiveram alternativa senão montar barraca debaixo do viaduto em frente ao Aeroporto Zumbi dos Palmares. ?Estamos debaixo da ponte porque não temos para onde ir. Não temos sequer o que comer, hoje e amanhã?, resumiu a desempregada Silvânia Maria da Conceição, que tem se virado como catadora de material reciclável pelas ruas de Rio Largo. ?A gente apura, no máximo, R$ 80 por mês. Só é suficiente para pagar o arroz, a fuba, o salame, o café e o açúcar?, reconhece, visivelmente entristecido, Cícero Francisco da Silva, outro morador da favela montada debaixo do viaduto na BR-104. Silvânia e Cícero compartilham com outros 25 sem-teto o sonho da casa própria naquele município ou em outro ponto do Estado onde possam trabalhar e se sustentar. ?Nunca tive residência fixa. A casa de onde fomos despejados foi um sonho que durou poucos dias?, disse, com lágrimas nos olhos, Silvânia. Em situação de vulnerabilidade social, não querem deixar o espaço, pertencente ao governo federal, porque não têm destino certo. Do poder público, esperam casa ou então a designação de imóvel com aluguel pago com recursos do contribuinte. As casas em que estavam Silvânia, Cícero e tantos outros foram desocupadas por determinação judicial, uma vez que tinham sido edificadas pelo Programa da Reconstrução para abrigar vítimas da enchente de 2010.