Cidades
Alagoas tem 844 presos monitorados
Considerada uma alternativa para reduzir a lotação nas penitenciárias, as tornozeleiras estão no auge das discussões do Brasil depois que alguns personagens detidos na Operação Lava Jato, que investiga uso de dinheiro da Petrobras como propina para políticos, passaram a utilizá-la na prisão domiciliar. Por meio de um contrato firmado com uma empresa paulista, o Estado de Alagoas passou a adotar o dispositivo, mas ainda está longe de tornar ideal o regime semiaberto. Atualmente, 844 detentos são monitorados eletronicamente, mas a grande maioria não, levando em consideração a falta de uma unidade prisional voltada a essa população que progrediu de pena. Embora vigiados 24 horas, entre 150 e 180 reeducandos violam as regras do monitoramento diariamente. Coberto pela calça, o equipamento passa despercebido para quem olha. Pesando pouco mais de 120 gramas, é semelhante ao tamanho de um aparelho celular. É composto por uma cinta com um cabo de fibra de aço e fibra ótica, além de uma caixa à prova de água, onde ficam armazenados o sistema de rastreamento e comunicação. Cada tornozeleira possui uma bateria com duração média de 30 horas (e que deve ser recarregada), um GPS, um sensor de luz e ar, dois chipes de operadoras de celular e um dispositivo anti-impacto. Além dos presos condenados, juízes criminais também podem determinar o uso do equipamento como alternativa aos que ainda aguardam sentença, mas cuja prisão é dispensável. Quem vai utilizá-la, fica ciente de que seus dados pessoais e as informações repassadas pela Justiça foram inseridos no sistema. Havendo qualquer violação das regras, o Centro de Monitoramento Eletrônico de Presos (CMEP), da Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), sabe instantaneamente. Em Maceió, o acompanhamento é feito em uma sala de controle, que fica no próprio sistema prisional. O local é supervisionado pelo tenente da Polícia Militar de Alagoas Alucham Fonseca. De acordo com o supervisor, agora são 844 presos monitorados eletronicamente e existem 44 equipamentos de reserva. Ou seja, não há reeducandos na lista de espera para o uso do dispositivo, como já aconteceu em outras ocasiões. O Estado garantiu a ?sobra? por meio de dois contratos, que estão vigorando, para implantação desse sistema. O primeiro deles garantia 728 tornozeleiras para Alagoas; um segundo foi feito para até mil equipamentos, embora dependa de dotação orçamentária do Executivo e da necessidade. Cada aparelho custa, aos cofres do Estado, R$ 340, valor que é bem inferior à manutenção de um reeducando nos presídios, que seria em torno de R$ 2 mil.