Cidades
Estudo mostra que mais de um menor � morto por dia em AL
A taxa de homicídios de crianças e adolescentes em Alagoas era a maior do País no ano de 2013, quando foi feito levantamento pelo professor Julio Jacobo Waiselfisz, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) Brasil. Todas as informações reunidas pelo educador se transformaram no estudo ?Violência Letal Contra Crianças e Adolescentes do Brasil?, divulgado ontem, e, embora traga números da realidade enfrentada pelo País há três anos, deixa uma reflexão acerca das mortes violentas e a forma como estas acontecem envolvendo crianças e adolescentes. Somente em Alagoas, de acordo com os dados, aconteceram 541 infanticídios em 2013. O índice era considerado o mais alto em comparação às demais unidades da Federação. Eram 43,3 homicídios de pessoas com essa faixa etária por grupo de 100 mil habitantes. O percentual representa um aumento de quase 193% em relação a 2003, quando o Estado era o sétimo mais violento para crianças e adolescentes. A quantidade representa menores com idade entre 0 e 19 anos. Em números absolutos, a pesquisa mostrou que ocorreram 201 mortes em 2003 em Alagoas, representando uma taxa de 14,8 assassinatos por 100 mil habitantes. Dez anos após, o índice de homicídios dessa natureza subiu 192,6% no Estado. De 2012 para 2013, o percentual cresceu 12,6%. O levantamento destrincha os homicídios envolvendo adolescentes com faixa etária entre 16 e 17 anos de idade. Em Alagoas, ocorreram 66 em 2003 e 189, em 2013, deixando o Estado na sétima colocação na lista das unidades. A taxa de crimes violentos letais e intencionais desses menores subiu 207,5% por cada grupo de 100 mil habitantes no intervalo de uma década. Em um ano, o aumento foi de 2,5% (foram 183, em 2012). Na pesquisa envolvendo as capitais, Maceió aparece na segunda posição nacional na quantidade de homicídios cujas vítimas eram crianças e adolescentes, ficando atrás, apenas, de Fortaleza, que registrou 81,3 mortes. Em 2003, foram registrados 118 crimes dessa natureza na cidade. Dez anos após, o número subiu para 251. A taxa de assassinatos por 100 mil habitantes passou de 33,9, em 2003, para 76,7, em 2013. A variação de aumento foi de 126,1% nesse período. Em termos de homicídios de garotos com 16 e 17 anos, o levantamento coloca Maceió na segunda colocação nacional. Aconteceram 42 casos em 2003 e 81 há três anos. Um dado positivo é que houve queda de 2012 para 2013 do número de ocorrências. Porém, em dez anos, o aumento foi de 236,2%. Está explícito, também, que a maior parte das vítimas é do sexo masculino, representando 91,4% do total de mortes de crianças e adolescentes com até 17 anos, vítimas da violência em Alagoas. Os demais 8,6% são meninas. A arma de fogo é o principal meio de se matar esse público no Estado, chegando a 92,1% das ocorrências. Uso de faca, estrangulamento, uso da força e outros métodos completam o total. Os menores de cor negra são os que mais morrem também.