Cidades
EXPLORA��O ATINGE 60 MIL MENORES
O número de crianças e adolescentes que trabalham em Alagoas pode alcançar 60 mil, conforme previsão dos órgãos que protegem e evitam que pessoas nessa faixa de idade labutem fora das diretrizes estabelecidas por lei. E estes menores estão tanto no mercado formal como atuando na informalidade. Por isso, a quantidade pode até ser maior, considerando que boa parte fica na clandestinidade, submetendo-se à exploração trabalhista e, muitas vezes, sem qualquer estrutura, correndo risco de ficar doente ou até de morrer. Os órgãos fiscalizadores recebem denúncias quase que diariamente de algum ponto do Estado onde a infância e a adolescência está sendo explorada no trabalho. E tenta, diante da estrutura que possui, averiguar cada situação. Nem sempre é possível flagrar o erro, mas quando isto acontece, a criança é retirada imediatamente do local para ser feito um cadastro junto às entidades e secretarias de Assistência Social para um acompanhamento visando inseri-la, futuramente e após um tempo de qualificação, em algum posto de trabalho formalizado. Há claras evidências de que esse público está cada vez mais ocupando algumas vagas que deveriam ser de adultos. Basta, apenas, um passeio pelos cruzamentos, praias e mercados da capital para flagrar pequenos limpando carros, vendendo churrasquinho, picolé sob sol quente ou chuva, na coleta de sururu e catando lixo para vender as sobras. O avanço da informalidade é comparado a um câncer por quem fiscaliza o setor trabalhista. A Coordenadora Regional do Combate ao Trabalho Infantil da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) em Alagoas, Dulciane Montenegro, explicou que os dados relacionados ao Estado, de crianças e adolescentes inseridos no mercado, estão no parâmetro divulgado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD). As estatísticas mais recentes, de 2014, revelam que cerca de 45 mil disseram que estavam trabalhando. Dois anos depois, a quantidade pode chegar ou passar de 60 mil. E Dulciane cita que há poucas denúncias (algumas dezenas), desde o ano passado, da atuação de pessoas dessa faixa etária em abatedouros públicos (em condições desumanas), nas praias da capital e interior (vendendo picolés, churrasquinhos e outros lanches), no comércio do sururu (no Dique Estrada) e nos sinais (limpando carros e coagindo condutores para um trocadinho). Mas também estão nos minimercados, nas feiras livres, nas oficinas mecânicas e nas padarias, geralmente, em empresas familiares.