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Descaso de mais de duas d�cadas

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O descaso, para não dizer desrespeito, com os corpos que chegam ao Instituto Médico Legal Estácio de Lima (IML/Maceió) sem identificação, remontam há mais de 20 anos. Não é por falta de pessoal qualificado para dizer quem é e de que forma aquele individuo morreu que, em Alagoas, muitos corpos passam anos sem serem identificados. A explicação para fatos como a denúncia que fez, ontem, o jornal Folha de São Paulo, que ?descobriu? ossadas humanas jogadas no antigo prédio do IML/Maceió, no bairro do Trapiche, está na falta de vontade política dos governos para resolver, em definitivo, uma questão que se arrasta há mais de duas décadas. ?Essa é uma questão séria, e já denunciada. A Gazeta já mostrou, em várias reportagens, achados de ossadas humanas, em Maceió, e várias outras cidades, além das frequentes denúncias sobre as precárias condições do IML? - reagiu o historiador Geraldo Majella Marques, autor de livro sobre a existência de cemitérios clandestinos em Alagoas. Para ele, a identificação de corpos e ossadas humanas é uma questão de humanidade e de segurança pública. O historiador destaca os muitos casos emblemáticos, como o desaparecimento do adolescente Davi da Silva, em agosto de 2014, que dependem da ação do Instituto Médico Legal, e que provam a importância da perícia forense. NORMAS TÉCNICAS Ontem, ao ser questionado sobre a denúncia da Folha, o diretor do IML, médico legista Fernando Marcelo de Paula, desmentiu que os ossos humanos estivessem jogados como lixo. Mesmo admitindo que a forma como estavam acondicionados não é a mais adequada, o diretor assegurou que as ossadas estavam sendo catalogadas conforme normas técnicas, para serem removidas para a sede provisória do Instituto.

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