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Piscina natural � boicotada por ag�ncias tur�sticas

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FÁBIA ASSUMPÇÃO As piscinas naturais da Pajuçara continuam sendo o mais importante cartão-postal de Maceió e serviu até de inspiração para versos de músicas. Exploradas turisticamente há mais de 30 anos, elas deixam extasiados os turistas que as visitam diariamente no período de maré baixa. De acordo com o coordenador da Comissão de Jangadeiros, Jailton Guimarães Torres, quase oito mil turistas conheceram as piscinas em janeiro deste ano, número considerado recorde. Guimarães afirma que esse número poderia ter sido bem alto, se não fosse o boicote das agências de turismo em incluir nos seus roteiros a visita às piscinas naturais. ?As agências de turismo não querem cooperar para trazer os turistas às piscinas?, reclama Guimarães, afirmando que este ano apenas uma agência, a Megatur, incluiu o local em seus roteiros. O coordenador da Comissão de Jangadeiros denuncia que os guias de turismo das agências fazem uma contrapropaganda das piscinas, afirmando que a área foi aterrada e está poluída. ?Muitos turistas quando chegam aqui descobrem que nada disso é verdade?. Apesar desse boicote, o fluxo de turistas só tem crescido nos últimos quatros anos, com a implantação do projeto Verão Legal do Mar, patrocinado pela Petrobras. Segundo Jailton, antes do projeto, apenas uma média de 400 a 500 turistas visitam mensalmente as piscinas naturais. Agora, essa média pulou para quatro mil visitantes por mês. ?Se não fosse o boicote das agências, teríamos condições de receber muitos mais turistas?. Com ou sem boicote das agências, 3.500 turistas visitaram a piscina em dezembro do ano passado e mais 7.900 aportaram por lá em janeiro. Verão Legal do Mar O projeto Verão Legal do Mar tem como principal finalidade promover a exploração turística ordenada das piscinas naturais, garantindo, principalmente, a preservação do meio ambiente. E os próprios jangadeiros tomaram consciência de que é importante preservar o local, que garante o sustento de 180 famílias e gera mais de dois mil empregos indiretos. Todos os jangadeiros são pescadores profissionais ligados à Colônia de Pesca Z-1. O passeio às piscinas naturais está custando R$ 13 por pessoa, e como não há apoio das agências, os próprios jangadeiros têm de correr, literalmente, atrás dos turistas. Segundo Jailton, foram elaborados alguns folders para divulgação das piscinas, mas por causa do tamanho em que foram confeccionados não se consegue expô-los nos displayers colocados nas recepções dos hotéis. Todas as jangadas cumprem as normas de segurança náutica, como uso de coletes salva-vidas para todos os tripulantes. Segundo Eduardo Botelho, da Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma), os jangadeiros estão cada dia mais conscientes da importância de preservar as piscinas. Com o apoio de uma lancha, doada pela Petrobras, a Sempma realiza rotineiramente a fiscalizações na área. Uma das medidas tomadas para evitar danos aos recifes de corais foi a colocação de bóias com cordas para prender as jangadas. ?Antes, os jangadeiros jogavam os igarapés (espécies de âncoras das jangadas) nos recifes?. Toda a área está sinalizada para que as embarcações não passem por locais que possam danificar os corais. Peixes nativos Eduardo lembrou, ainda, que foi proibida a pesca de peixes nativos das piscinas. ?Só é permitido aos turistas utilizar máscaras com respirador e sem qualquer apetrecho de pesca?. Até mesmo a alimentação dos peixes é controlada. Hoje, os jangadeiros vendem ração apropriada para alimentação dos peixes, e os turistas são proibidos de jogar pão ou qualquer outro tipo de comida no mar. ?Outra prática que deixou de ser feita aqui foi a de os turistas levarem os corais como lembrança. Existia, inclusive, um comércio de lembranças feitas com pedras e búzios?, lembra Eduardo. A diretora da Secretaria Municipal de Turismo (Semturma), Bia Quirino, explicou que foram investidos no projeto Verão Legal no Mar cerca de R$ 105 mil. A Petrobras doou os equipamentos, como a lancha e as bóias de sinalização dos locais para ancoramento das embarcações, e a prefeitura promoveu a capacitação dos jangadeiros. Para ela, o resultado desse projeto tem sido mais que positivo. ?Os próprios jangadeiros afirmam que os últimos quatro anos foram de maior demanda de turistas?. Para consolidar ainda mais as piscinas naturais como principal cartão-postal de Maceió, a Secretaria de Turismo pretende investir em materiais promocionais. Os turistas que visitam as piscinas só têm motivos para elogios. Os paulistanos Carlos Bonavolonta e Tatiana Soares não escondiam seu encantamento com as belezas das piscinas, enquanto se divertiam alimentando alguns peixes. Fazendo um tour por algumas praias do Nordeste, eles afirmaram que nada se comparava ao que encontraram na piscina natural da Pajuçara. ?Estivemos no Morro de São Paulo (Bahia), mas não é tão bonito quanto aqui?, exaltou Carlos. São exatamente os paulistas, os que mais visitam as piscinas naturais da Pajuçara. Para garantir que elas continuem sendo motivo de elogios pelos turistas e garanta a sobrevivência dos jangadeiros, técnicos de vários órgãos da prefeitura fizeram uma fiscalização, na última semana, no local. Entre as propostas que surgiram dessa visita está a padronização das lixeiras das jangadas. Atualmente, apenas as jangadas-bar possuem lixeiras. O técnico da diretoria de Operações da Superintendência Municipal de Limpeza Urbana (Slum), George Girard, sugeriu a instalação de lixeiras separadas para os materiais molhado e seco. Além da obrigatoriedade de lixeiras em todas as jangadas, para evitar que os turistas joguem materiais como palitos de picolé e copos plásticos no mar.

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