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Crise financeira amea�a fechar panifica��es

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O setor de panificação corre sério risco de extinção em Maceió. A redução do consumo e o alto custo da produção são as principais causas da crise que os panificadores enfrentam. Para reduzir gastos, alguns já estão promovendo verdadeira volta ao passado, substituindo fornos a gás ou a eletricidade pelo velho forno à lenha. A mudança é imediatista, mas é encarada como única saída para não ?quebrar?. O custo da energia elétrica subiu 14,68%, em 2002, mas os panificadores não puderam repassar o aumento para o preço do pão. Eles enfrentam a mesma situação diante dos constantes reajustes do gás de cozinha e até mesmo do gás natural, também utilizado no processo de fabricação de pães, bolos e biscoitos. O metro cúbico do gás natural custa R$ 1,20, valor que os panificadores consideram alto demais nessa fase de crise. Mas eles também reclamam de que a Companhia de Gás de Alagoas (Algás) ainda não oferece o produto de forma eficiente. Aliado ao preço do gás ou da energia elétrica está o alto custo da farinha de trigo, outro vilão que ?esmaga? os donos de padaria. ?Estamos sendo massacrados?- diz Luciano Souto Maior, proprietário de duas panificadoras. Ele reclama do alto custo da produção e também do excesso de padarias em Maceió, outro fator que aponta como responsável pelo achatamento desse comércio. ?Some-se a tudo isso a queda do poder aquisitivo da população. Estamos sem saída?- lamenta Souto Maior. Crise sem fim As grandes panificadoras do centro de Maceió, como a Citral e a Leão Branco, fecharam no início dessa crise que parece não ter fim. Cada uma delas utilizava, em média 3.500 quilos de farinha por dia. Hoje, as maiores panificadoras não chegam a usar 250 quilos, quando funcionam em nível máximo. A mudança do modelo de forno é a solução que os comerciantes do setor estão encontrando para enfrentar as dificuldades. O forno à lenha ocupa cerca de 50% do espaço físico das panificadoras, enquanto os modelos que funcionam com gás ou eletricidade são instalados numa área equivalente a 5% desse mesmo espaço. ?É um retrocesso, mas é também a alternativa de sobrevivência que temos?- alega Luciano Souto Maior. O presidente do Sindicato dos Panificadores, Valdomiro Feitosa, confirma a substituição dos fornos, mas ressalta que essa medida está sendo adotada por uma minoria. Ele próprio fez a substituição em seu estabelecimento, localizado no bairro do Tabuleiro. Mas ao contrário do passado recente, quando queimavam lenha de madeira viva, os panificadores estão usando bagaço de cana prensado, chamado briquete, ou pó de serrarias. São matérias-primas menos poluentes, mas que exigem aprovação dos órgãos de meio ambiente para serem utilizadas. A questão é que, com equipamentos ociosos, já que a redução do consumo e o elevado custo da matéria-prima obrigou-os a reduzir a produção, os panificadores buscam saídas para sobreviver. Nos bairros cuja população tem maior poder aquisitivo, as padarias estão sendo transformadas em delicatesses, onde são vendidos do pão ao queijo, vinhos, enlatados, frios e outros alimentos. Nos bairros da periferia, a opção é transformar a velha padaria numa espécie de mercadinho onde a oferta de produtos também é diversificada. São alternativas à crise que, para alguns, parece interminável. ?Não acredito em recuperação?- lamenta Luciano Souto Maior

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