Cidades
Chuvas: Macei� tem 30 grotas sob risco de desmoronamento
ANA MÁRCIA Maceió poderá enfrentar tragédias similares às ocorridas recentemente na região do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais: o desabamento de encostas sobre casebres e a morte de famílias inteiras. O alerta foi feito pelo coordenador da Defesa Civil do município, engenheiro Galvacy de Assis, ao reafirmar a existência de 130 grotas, das quais 30 estão sob risco iminente de desmoronamento de barreiras, que se ressentem com a persistência das chuvas de verão. Apenas no Jacintinho, considerada uma das regiões mais populosas da capital, são cerca de 51grotas, cujos moradores se arriscam sobre casas erguidas perigosamente nas barreiras. ?Na grota do Pau D?Arco I, 25 residências estão condenadas, assim como várias outras no Flexal de Cima, em Bebedouro, mas os moradores não querem nem ouvir falar em deixar o local. Na minha opinião parece que eles têm mais apego aos poucos bens materiais, seja um fogão ou uma geladeira, do que à própria vida e se arriscam junto com os filhos?, comenta Galvacy. Há uma semana houve um desmoronamento no Flexal, sem vítimas, apenas em decorrência das chuvas durante as madrugadas. O Benedito Bentes, outra região densamente povoada, possui sete grotas. ?Em 1987, a Defesa Civil tentou convencer uma família a deixar a casa numa encosta no Mutange, mas ninguém saiu. Durante a madrugada ocorreu a tragédia: no outro dia voltamos para resgatar corpos?, lembrou Galvacy de Assis. Resistência De acordo com o coordenador da Defesa Civil, o único trabalho possível de ser feito é a tentativa de conscientizar as famílias instaladas em áreas de risco a deixar esses locais transferindo-se para a casa de parentes e amigos, ou mesmo retornando para os seus locais de origem, seja para o interior, ou para cidade de outros Estados. Porém, só há resultado em 5% a 10% dos casos, porque a grande maioria dos moradores se recusa a deixar seus casebres. Quem aceita a proposta recebe alguma ajuda como cesta básica, passagens ou outro tipo de apoio emergencial. ?Eles dizem que só saem das áreas perigosas se o poder público oferecer outro local e outra casa para morar, mas o município não dispõe dessa condição e nem podemos abrigar em galpões ou escolas porque significa transferir problemas e até suspender outros serviços?, comenta. Segundo Galvacy de Assis, o problema se agrava desde 1981 e só tende a piorar diante das deficiências sociais e econômicas do País e de Alagoas, sobretudo pela elevação do êxodo rural, ampliando favelas. O fechamento de usinas de açúcar e a seca só ampliam o êxodo rural e todos correm à capital na esperança de conseguir um emprego, mas acabam na miséria e enfrentando a mendicância. ?Não há como resolver este problema a médio ou longo prazo, dificultando o trabalho da Defesa Civil que deveria atuar na fase preventiva, de socorro, de assistência e de recuperação aos danos, junto com o Corpo de Bombeiros nosso maior parceiro?, diz, ao ressaltar que a Defesa atua detectando o problema e tentando conscientizar a população, mas não é um órgão executor. Em relação às chuvas, Galvacy diz preocupar-se com a estufa vivenciada hoje em Maceió, que caracterizou a elevada densidade pluviométrica de 2000, mas segundo ele, a previsão ainda é de chuvas normais de verão. Quarenta homens da Secretaria Municipal de Convívio e Controle Urbano estão de prontidão para agir em caso de necessidade junto com a Defesa Civil Estadual.