Cidades
N�mero de casos de zika pode estar superestimado
Uma pesquisa feita em São José do Rio Preto, cidade do interior de São Paulo, revelou que, ali, parte dos casos diagnosticados como zika foi confundida com dengue. ?Do mesmo modo, o contrário também pode estar ocorrendo, e esse equívoco está se repetindo em todo País?, disse ontem, à Gazeta, o médico Maurício Lacerda Nogueira, que coordenou o estudo, realizado pela Faculdade de Medicina daquele município paulista. Os resultados, disse Nogueira, revelam que não se sabe exatamente qual o tamanho da epidemia causada pelo zika vírus no Brasil. ?Os sintomas, apenas, não garantem o diagnóstico?, afirmou o pesquisador. Para ele, o estado brasileiro considera todos os casos do mesmo modo, mas o cidadão, individualmente, tem o direito de saber a doença que teve. ?Associar conjuntivite à zika e dor nas articulações à chikungunya, por exemplo, serve apenas para dar aulas. Na prática, os sintomas se confundem, como se confundem resultados dos testes sorológicos atualmente usados na rotina dos laboratórios e serviços de emergência?, disse o estudioso, que é professor da Famerp e integrante da Rede Zika. Uma preocupação, acrescentou ele, é quanto ao que chama de custo-efetividade da vacina contra a dengue e, futuramente, contra a zika. ?Sem dados seguros, as políticas públicas de prevenção e tratamento podem se tornar ineficientes e caras?, afirmou Nogueira. Embora ressalte que não tem conhecimento da pesquisa feita pelo médico paulista, o que lhe permitiria responder de forma mais específica, a gerente de Vigilância e Controle das Doenças Transmissíveis da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), enfermeira Danielle Silva Castanha, disse que, em Alagoas, todos os casos de dengue, zika e chikungunya são notificados como suspeitos.