Cidades
Incra nacional define diretrizes para Alagoas
Alagoas possui 67 assentamentos e 32 acampamentos de trabalhadores rurais sem-terra à espera de desapropriação para fins de reforma agrária. É considerado um dos Estados em situação mais complicada. Conflitos freqüentes colocaram os militantes em um nível de tolerância zero. Foi aqui em Alagoas onde aconteceu a primeira grande manifestação de sem-terra, já no governo Lula. É esse quadro que o engenheiro agrônomo, ex-secretário de Agricultura do Estado, militante do PT e dos movimentos sociais, Mário Agra, vai encontrar ao assumir a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Alagoas, cargo para o qual foi indicado pelo governo federal. A nomeação ainda não aconteceu, mas Mário Agra já recebeu a senha com as diretrizes nacionais para o órgão: trabalhar emergencialmente com a questão da sobrevivência nos assentamentos e acampamentos e agilizar os processos de desapropriação para concretizar novos assentamentos. Ele reconhece que o desafio não é dos menores. No ano passado não foi feito um único assentamento em Alagoas e o movimento dos trabalhadores sem-terra foi responsável pela derrubada do superintendente do órgão, José Quixabeira, a quem acusavam de inoperante. E mesmo com a identificação e a acessibilidade que tem na área, Mário Agra sabe o quanto a missão é espinhosa. ?Afinal, estamos tratando de uma questão secular?, frisa. Mas seu objetivo é claro. Mário Agra diz que assume o órgão para fazer cumprir seu papel no processo de Reforma Agrária. Para isso quer iniciar, imediatamente, as conversações com o movimento, a sociedade e alguns setores que, no entender do governo federal, podem ser parceiros nesse processo.