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‘BAGUN�A’ ATRAPALHA A VIDA DOS CARTEIROS

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Ruas sem nome, números desordenados ou que se repetem, endereços incompletos ou inexistentes, uma verdadeira bagunça que prejudica a localização e os serviços postais. Boa parte desses problemas é causada pela ausência de registro de imóveis ou pela falta de critérios e fiscalização na nominação de ruas e numeração de casas. Não é difícil encontrar alguém que colocou o nome do pai, de um sobrinho, de um ídolo; uma letra para nominar uma rua; ou que colocou o número da casa de acordo com sua simpatia, sem seguir a ordenação numérica. Pode parecer um serviço, numa rua sem nome, numa casa sem número, mas esses são alguns dos principais motivos de devoluções de correspondências e encomendas encaminhadas pelos Correios ou empresas especializadas. Responsáveis, também, por diversos outros transtornos à população e por aumentar, diariamente, a caminhada dos agentes dos Correios em busca do endereço certo. Há quatro anos, quando começou sua vida de carteiro, Fernando da Silva sentiu na pele os transtornos causados pela confusão de endereços, nas ruas do bairro Santa Lúcia, parte alta de Maceió. Muitas vezes teve que repetir a caminhada ao longo de uma rua ? duas, três vezes ?, batendo em portas diferentes até encontrar o endereço certo da correspondência. Demorou alguns dias até se acostumar e aprender que, para reduzir o índice de devolução de encomendas e os passos da caminhada que fazia todos os dias, teria que conhecer a área e seus habitantes. ?Tem várias ruas com o mesmo nome; rua com mais de um nome; números repetidos em diversas casas de uma mesma rua?, diz ele. Hoje, Fernando já sabe que o número 200A, por exemplo, se repete três vezes na Rua Nossa Senhora de Fátima, em casas diferentes. Decorou o nome dos donos de cada uma e ficou mais fácil entregar a correspondência sem erro e sem ter que repetir a caminhada. Não é tarefa fácil. O número 200 não é o único repetido na área que ele percorre diariamente. Na Rua Nossa Senhora de Fátima, tem pelo menos sete casas com o número 10, e quatro com o número 4. ?Hoje eu já estou acostumado. Mas a gente sofre quando é novato ou quando muda de área?, diz Fernando. ALEATÓRIO De acordo com Adalberto Almeida, assessor da diretoria dos Correios, a dificuldade é maior nos bairros da periferia, onde os loteamentos clandestinos se proliferam, sem registro dos imóveis construídos. Mas o problema existe, também, em grande proporção, na região mais central da cidade de Maceió. Nesse caso, além da desordem na numeração, há muitas situações em que a rua tem mais de um nome, o que ocorre, geralmente, quando há mudança oficial, mas a população resiste e continua usando o nome antigo. Rua do Sol, no Centro, por exemplo, é a mesma Rua João Pessoa; oficialmente, a Avenida Rotary, é avenida Diegues Junior; a Amélia Rosa, na Jatiúca, é Antônio Gomes de Barros; a Avenida Jatiúca é Júlio Marques Luz. Na Rua Tereza de Azevedo, no Farol, o problema maior está na numeração, com a repetição em casas diferentes e a desordem numérica. É o mesmo problema da extensa Avenida João Davino, na Jatiúca. Um número na casa dos 200 aparece no meio da numeração que já passou de 1.000. ?As pessoas colocam de forma aleatória e não imaginam o transtorno que isso causa, até para elas mesmas?, diz Adalberto. O repórter fotográfico José Feitosa chegou a ser intimado certa vez para depor sobre um crime que supostamente acontecera na frente da sua casa, na Jatiúca. Levou tempo para descobrir que o endereço era outro. Havia pelo menos três números 84, na mesma rua em que ele morava.

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