Cidades
SITUAÇÃO DE HOSPITAIS É CONSIDERADA CRÍTICA
Já faz tempo que há um alerta de funcionários e de gestores de que os hospitais filantrópicos de Alagoas estão à beira de um colapso. A situação tem se agravado ao ponto de se falar em decreto de falência. Uma força-tarefa foi criada para evitar que essas instituições fechem as portas e deixem boa parte da população que depende de leitos e de cirurgias pelo SUS à mercê da própria sorte. Ontem, representantes dos ministérios públicos Federal, do Estado (MPE), do Trabalho (MPT), além de diretores dos hospitais e sindicatos patronais e da base, se reuniram e decidiram convocar Estado e municípios para reaver o calendário de repasse dos incentivos, que são a fonte financeira maior dessas entidades. O cenário considerado mais crítico está no Hospital do Açúcar. O diretor da instituição, Edgar Antunes, explica que, desde 2007, o SUS não faz reajuste nos seus repasses. A defasagem seria de 1.480% nos pagamentos dos procedimentos. Essa cota tem sido repassada, embora com o deficit. Com cerca de 1.300 funcionários, a unidade está com uma folha e meia de pagamento em atraso, além de dever uma parcela do 13º salário dos trabalhadores. E culpa o governo do Estado por ter mudado o prazo para o repasse do incentivo de 15 para 60 dias. Funcionários já paralisaram as atividades e ameaçam greve geral. ?Há uma dificuldade no repasse de incentivos do Estado em termos de espaço temporal e, como os hospitais vivem no limite, não têm um capital de giro, a decisão de governo ocorreu justamente no fim do ano, quando as folhas duplicam e os hospitais têm que pagar outros compromissos?, explicou a promotora Faílde Mendonça. Na visão do procurador do Trabalho Cássio Araújo, a mudança dos prazos pelo Estado e o congelamento da tabela SUS representariam a falência dos hospitais filantrópicos a médio prazo.