Cidades
Clientes enfrentam transtornos
Duas semanas de greve, quase nenhum avanço nas negociações e uma série de transtornos que começam a se multiplicar na vida das pessoas que dependem dos serviços bancários. Mesmo nos tempos atuais, em que quase tudo se resolve a um clique do celular, em que os caixas eletrônicos suprem grande parte das necessidades operacionais da clientela dos bancos e em que se pode contar com uma rede de apoio identificada como ?correspondentes bancários?, onde é possível sacar dinheiro, fazer depósitos e pagar contas, tem muita gente com a vida atrapalhada por causa da greve nacional dos bancários, deflagrada no último dia 6. O servidor público Tibiriçá Oliveira havia feito planos para o dinheiro do Pasep, que seria liberado na semana passada. Não conseguiu sacar. ?Já contávamos com esse dinheiro para uma necessidade extra que ficou esperando ele ser liberado. Agora tivemos que adiar os planos, esperar a greve acabar. Fico pensando naquelas pessoas que precisam de outros benefícios, como o seguro-desemprego; aquelas que chegam no caixa eletrônico e precisam de ajuda para sacar a aposentadoria ou as que erram a senha e o cartão é bloqueado?, disse ele. O vigilante Mauro Jorge Farias tem acumulado transtornos. Tentou depositar dinheiro no Banco do Brasil para cobrir débitos com a fatura do cartão de crédito e a prestação da casa, mas não conseguiu, porque nas agências não havia envelopes de depósito. No dia 10, tentou pagar algumas contas em outro banco, usando o caixa eletrônico, mas errou a senha e o cartão foi bloqueado. Ainda tentou usar o dinheiro que seria depositado, para efetuar os pagamentos numa casa lotérica, mas deparou-se com o limite por operação e teve que deixar algumas pendências em aberto. ?Vou ter que esperar os bancos abrirem e pagar com juros?, lamentou ele. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Alagoas, não há perspectiva para a greve acabar. ?Não houve avanço na última rodada de negociação. Os banqueiros mantiveram a mesma proposta que já havia sido rejeitada?, diz Jairo França, presidente da entidade. Segundo ele, cerca de 90% das agências bancárias ? públicas e privadas ? no Estado estão paradas. No balanço do sindicato, a situação de ontem era a mesma da semana passada. ?Das 243 unidades bancárias existentes em Alagoas, 217 estão fechadas. O que têm aberto são pequenos postos de atendimento. Na capital, a adesão à greve é de 100%?, diz o sindicalista.