Cidades
Prote��o de pais isola crian�as
Encontrar crianças brincando soltas na rua, preenchendo as praças e parques com os mais diversos passatempos, deixou de ser um cenário comum. Com os altos índices de violência assolando o estado, muitos pais adotaram a proteção como hábito primordial e passam a monitorar as atividades do cotidiano da criançada a fim de resguardá-los com grades físicas e imaginárias. Os poucos meninos ou meninas que se arriscam a soltar pipa, jogar o futebol e brincar de esconde-esconde são vistos nas periferias, onde não há as mínimas condições de segurança, educação, saúde e tantas outras necessidades que eles aprendem a lidar desde cedo. O Disque 100 ? serviço de atendimento telefônico gratuito que recebe denúncias e demandas de violações de direitos humanos ? registrou, no primeiro semestre deste ano, 66.518 denúncias de violações de direitos humanos, das quais 63,2% estavam relacionadas a violações de direitos de crianças e adolescentes. Segundo dados do Núcleo de Estatística e Análise Criminal (Neac) da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), em 2015 foram registrados 351 casos de abuso sexual e estupro em Alagoas. Até setembro deste ano, já foram 226 vítimas, a maioria meninas, com idade entre 0 e 13 anos. Entre os adolescentes, na faixa de 14 a 17 anos, os números revelaram 118 casos no ano passado e outras 45 vítimas até setembro de 2016. Tais casos acontecem, principalmente, em Maceió, Arapiraca e Rio Largo. Números do Fórum Estadual de Conselheiros Tutelares de Alagoas revelam que, durante o ano de 2015, os 115 conselhos tutelares do estado totalizaram 40.019 casos de ameaças e violações de direitos. ?A maioria dos casos é de agressão, como castigos absurdos, surras, palmadas, beliscões, queimaduras, torções em braços ou dedos. Mas também recebemos denúncias de mendicância, abandono, violência sexual, trabalho infantil, entre outros?, contou o presidente do fórum, José Edmilson Sousa, reforçando a necessidade de cuidar melhor das crianças.