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Estado atrasa bolsa para mestres

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No próximo ano, a Secretaria de Estado da Cultura (Secult) vai publicar edital para selecionar os candidatos que disputarão uma vaga no Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas, conforme os termos da Lei Estadual nº 7.172/2010. A vaga foi deixada pelo mestre José Cícero Abdias Bonfim, o mestre Cicinho, artesão e referência na produção de chapéus de guerreiro, que morreu em junho último, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Enquanto organiza a seleção do substituto de mestre Cicinho, a Secult tenta evitar as críticas que tem recebido dos 39 mestres já cadastrados como Patrimônio Vivo, por atrasar o pagamento do benefício. ?Tou devendo a conta de luz, no mercadinho. São dois meses de atraso, o que traz muitos prejuízos, pois não estamos tendo muitas oportunidades de trabalho?, revela José Prudente de Almeida, de 57 anos, o mestre Chau do Pife, uma das expressões da música popular de Alagoas. A mesma queixa é feita por André Joaquim dos Santos, de 69 anos, o mestre André, do guerreiro Mensageiros do Padre Cícero. ?Sempre pagam atrasado, deixando um ou dois meses dentro (sic)?, afirma mestre André, revelando as dificuldades que enfrenta sem o pagamento da bolsa patrimônio vivo. Ele e Chau do Pife são porta-vozes dos demais mestres, todos indignados com os constantes atrasos no repasse de um benefício ao qual fazem jus, pelo tanto que contribuem para a preservação da cultura popular de Alagoas. ?Aqueles que são aposentados têm casa própria, conseguem esperar com mais calma. Mas os que pagam aluguel e sustentam a família enfrentam muitos problemas. É o meu caso. E não me envergonho de falar a verdade?, declara mestre Chau. Ele próprio é um dos mais penalizados, pois a esposa, com hérnia de disco, não trabalha, e ainda tem um filho especial. A difícil realidade de Chau do Pife André é comum à maioria dos fazedores de cultura, que veem no pagamento da bolsa patrimônio vivo uma forma de minimizar as dificuldades financeiras.

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