Cidades
SEBOS MANT�M VIVA TRADI��O DA LEITURA
Custo baixo, diversidade no acervo, títulos raros e a possibilidade de comprar, vender ou trocar livros. Tudo num mesmo lugar. Essas características fazem dos ?sebos? ou ?alfarrábios? ? como se chamam os locais de venda de livros usados ? uma alternativa sempre bem procurada para quem quer e precisa de acesso a leituras específicas, cultiva o hábito de ler ou gosta de uma novidade na estante, ainda que na forma de livro velho ou usado. Unem-se a esses fatores, as poucas opções de comércio de livros novos em Maceió. Na verdade, a cidade nunca foi pródiga nesses empreendimentos. Mas há quem lembre com saudosismo, por exemplo, dos tempos da Livraria Caetés, no Centro, onde a nata da intelectualidade costumava se encontrar. Ao longo dos anos, ela e outras foram fechando as portas, dando lugar a novos empreendimentos em outros ramos. Hoje, contam-se duas ou três livrarias na capital alagoana, onde se podem comprar livros novos. E, mesmo com o advento das compras pela internet, que têm conquistado cada dia mais adepto entre leitores, desde os mais assíduos aos ocasionais, tem gente que gosta de frequentar os velhos e novos sebos pelo prazer de garimpar ?relíquias? da literatura. Foi entre as prateleiras de páginas amareladas de um sebo que o turismólogo Levy Félix, aluno do curso de mestrado em Antropologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), encontrou um título que vinha procurando há mais de três anos sobre Mocambo, primeira comunidade quilombola de Sergipe reconhecida oficialmente pela Fundação Cultural Palmares (FCP). ?A edição foi esgotada. Já tinha procurado em livrarias diversas de todo o País, na Estante Virtual (pela internet), com amigos com quem costumo trocar livros, e até em contato com o autor. Nem ele tinha mais esse livro. Foi um verdadeiro achado, em um sebo, e o preço foi uma pechincha?, conta ele. Assim foi também com outros livros nas áreas de Antropologia e Turismo. Segundo Levy, as livrarias tradicionais são mal servidas nessas áreas, sobretudo quando elas se misturam, e todas as alternativas são bem-vindas. ?Geralmente, recorro ao mercado de usados por causa do custo-benefício. O preço chega a ser 50% mais barato. Mas, às vezes, é mesmo pela dificuldade de encontrar o livro novo?, diz ele.