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Sem direito a cidadania

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Por trás de um muro bem pintado de azul e branco, histórias de pessoas que foram vítimas da violência ou abandonadas pela família. Muitas delas talvez se chamassem Maria ou José, mas estão naquele lugar, mencionadas apenas por números. É no Cemitério Divina Pastora, no Rio Novo, onde está espalhada de forma desorganizada a maioria dos indigentes de Alagoas. São mais de 1 mil. De tão cheio e sem estrutura, lá não recebe mais corpos de não identificados. Dados da Perícia Oficial de Alagoas apontam que este ano 128 indigentes foram sepultados em Alagoas. Nos doze meses de 2015, foram 132. O Cemitério Divina Pastora não recebe mais pessoas não identificadas desde o início do ano, após acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), que detectou irregularidades graves no local. Tem vítima de todas as idades e causas de óbito: gente que passou mal e morreu em casa, sozinho, e ninguém foi ao Instituto Médico Legal (IML) buscar o corpo. Mas a maioria é jovem mesmo, vítima de morte violenta. Pior do que ficar espantado com a quantidade de indigentes sepultados em Alagoas é confirmar que o caos que se transformou os cemitérios de Maceió continua e não há previsão para construção de novos sepulcrários. ?Quanto à questão extra IML, quando se fala de sepultamento de não identificados, nós estamos aquém. Aquém demais. Quando se fala em sepultamentos, não estamos tratando de forma digna essas vítimas não identificadas. Falta dignidade?. A declaração é do diretor do IML, o médico-legista Fernando Marcelo de Paula, que assumiu a função em janeiro de 2015. ?Existem regras. De espaço entre uma cova e profundidade, de se tirar aquele corpo que já virou osso. Precisamos urgentemente de um cemitério aqui em Maceió onde possamos servir também aos indigentes?, afirma o diretor do IML. De acordo com a Superintendência Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU), não há previsão para construção de novos cemitérios e os sepultamentos de indigentes foram suspensos no Divina Pastora até que o espaço seja ampliado. ?Para isso, o município realiza estudos para encontrar soluções viáveis para as demandas de sepultamentos, tanto no Divina Pastora quanto nos demais equipamentos da cidade. É preciso lembrar que os sepultamentos de indigentes estão sendo realizados nos outros sete cemitérios de Maceió?, disse Rogério Barros, diretor do Departamento de Cemitérios da SMCCU.

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