Cidades
Movimentos doam comida em bairro carente de Macei�
O feriado de ontem serviu para movimentos sociais do campo e da cidade usarem a solidariedade contra o preconceito. Em parceria, o Movimento dos Sem-Terra (MST) e a Casa Abassá de Angola Igbalé distribuíram quase cinco toneladas de alimentos aos moradores do Conjunto Otacílio Holanda, no bairro Cidade Universitária. A iniciativa, além de ajudar as famílias que vivem na pobreza, serve para combater a criminalização dos camponeses que lutam pela reforma agrária e a falta de informação que distancia a população do candomblé. Coordenadora do MST em Alagoas, Débora Nunes afirma que o alimento doado não é sobra. Macaxeira, batata-doce, laranja e abóbora foram alguns produtos plantados nos assentamentos e acampamentos do movimento rural na cidade de Atalaia e destinados pelas famílias do campo para os moradores da periferia na capital. ?Este ato mostra que, mesmo com toda dificuldade que as famílias agricultoras enfrentam para produzir no campo, conseguem colher e ainda compartilhar sua produção com outras famílias pobres da cidade?, afirmou Débora, dizendo que a doação no campo já viabilizou outros eventos como esse. ?Esse ato não é para dividir o que sobra no campo, mas para compartilhar o que se tem. As famílias doam porque sabem que vão ajudar outras famílias também necessitadas?, explicou Débora Nunes, ao acrescentar que em Atalaia vivem cerca de 800 famílias, entre assentadas e acampadas no MST. ?Esta doação também só está acontecendo porque lutamos pela reforma agrária. Toda essa produção só foi possível graças à resistência das famílias que sobrevivem no campo e não tornam a encher a periferia das cidades com o êxodo rural?, ressaltou a líder do MST, que, das 9h ao meio-dia de ontem, acompanhou a distribuição dos alimentos.