Cidades
Mais de 1.500 jovens negros foram mortos este ano em AL
Mais de 1.500 jovens negros alagoanos foram mortos, somente este ano, conforme informação repassada, na manhã de ontem, pela Comissão de Promoção da Igualdade Social da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Alagoas (OAB/AL), durante audiência pública realizada para debater soluções para os crimes registrados no Estado. Ainda de acordo com o presidente da comissão, o advogado Alberto Jorge, os números deixam Alagoas como o Estado que mais se mata jovens negros entre 17 a 22 anos. ?Lideramos no ranking pelo segundo ano consecutivo. O cenário para um negro no Estado é muito difícil. Além da falta de políticas públicas, isso acontece porque perdemos espaço nas comunidades negras e periféricas para o tráfico, o desemprego e a falta de qualificação?. Segundo o advogado, a entidade registrou avanço da violência, das agressões, da falta de políticas públicas, como também do preconceito e da discriminação. ?Atribuímos a situação à subserviência, às agressões que são diárias. E o avanço para esta situação são as diversas discussões que estamos realizando com todos os segmentos a fim de buscar soluções contra o racismo, a intolerância religiosa, entre demais temas?, disse Alberto Jorge, ressaltando que um documento seria elaborado após a audiência e encaminhado para órgãos competentes no intuito de adquirir parcerias para aplicação de novas medidas contra a violência. O debate aconteceu na Sala do Conselho Seccional da OAB Alagoas, no bairro Jacarecica, e contou com a presença de representantes da entidade, da Superintendência dos Direitos Humanos e Igualdade Racial, Comissão da Pessoa com Deficiência e Idoso, da Religiosidade Afro-Brasileira, Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial, Movimento Negro de Alagoas, Fundação Cultural Palmares, Secretaria de Estado da Cultura e da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, além de movimentos sociais. Presente à audiência, o professor de capoeira do Grupo Lua de São Jorge, Denivan Costa, o Denis Angola, disse que 50 capoeirista foram assassinados entre 2014 e 2015, segundo pesquisa realizada pela Federação de Capoeira do Estado de Alagoas. ?E eles morreram pelo fato de serem negros, residirem na periferia, por serem capoeiristas?, argumentou.