Cidades
PRECONCEITO AINDA � O MAIOR INIMIGO
Os números são preocupantes. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o ano de 2016 deve fechar com cerca de 560 novos casos de câncer de próstata em Alagoas. Em Maceió, a incidência deve chegar a 210 casos ? uma taxa de 44,73 para cada 100 mil habitantes, bem mais elevada do que a média estadual, que é de 35,09 por 100 mil, segundo as estimativas do Inca. Num estado onde a maioria (51,55%) da população é constituída por mulheres, o câncer de próstata representa uma média de 40% das incidências entre os 18 tipos de câncer pesquisados pelo Inca (44,73% na capital e 35,08% no interior), perdendo apenas para o câncer de mama, que ocupa uma faixa de 41% das ocorrências de câncer em Alagoas (51,56% na capital e 30,54% no interior). No Brasil, a projeção é de que o ano feche com 61.200 novos casos. Em 2015, foram 69 mil casos, o que indica queda que pode ser atribuída, em parte, às campanhas de conscientização como o Novembro Azul, realizada todos os anos. De acordo com o médico urologista alagoano Humberto Montoro, o câncer de próstata é uma doença do envelhecimento. ?Pelo menos 10% dos homens na faixa dos 50 anos de idade vão ter câncer de próstata; e na faixa dos 70 anos, essa possibilidade aumenta para 30%. Estudos mostram que a cada 6 homens, 1 vai ter câncer de próstata; que a cada 7,6 minutos 1 câncer de próstata é diagnosticado, e a cada 40 minutos morre uma pessoa, vítima dessa doença?, diz o médico. DIAGNÓSTICO A situação é grave, e como em todo tipo de câncer, o tempo é um fator fundamental para a cura; e quanto mais cedo for descoberto, maiores as chances de vencer a doença. ?No estágio inicial, ele está restrito à próstata. É mais fácil curar?, diz o médico. Portanto, mais recomendável é realizar os exames periódicos a partir dos 50 anos, ou mais cedo, se houver um histórico familiar, o que aumenta a probabilidade de desenvolver a doença. ?Se tem uma pessoa na família que teve câncer de próstata, você tem 1 possibilidade e meia a mais de também ter a doença; se tem dois casos na família, essa possibilidade aumenta para 3 vezes?, diz o médico. MEDO E PRECONCEITO Diagnosticar precocemente o câncer de próstata é o caminho, para uma doença que só tem cura se tratada na fase inicial. Mas nesse caminho há barreiras como o preconceito e o medo, sobretudo em relação ao exame de toque retal. De acordo com o médico Humberto Montoro, muitos homens restringem o preventivo ao exame de sangue que mede os níveis do PSA (Antígeno Prostático Específico), mas, segundo ele, só fazer o PSA não basta. ?O indivíduo pode ter câncer, e mesmo assim o resultado dar inalterado. Ou o nível do PSA pode apresentar alteração e ele não ter câncer?, explica. O HBP ? hiperplasia prostática benigna, por exemplo, muda esses valores de referência mas não é um câncer. A prostatite, que é uma infecção ou inflamação da próstata, também altera os índices de PSA, mas não é câncer. O ideal, para se ter um diagnóstico seguro, segundo o urologista, é fazer os dois exames ? de sangue e de toque. Aí reside parte considerável do problema, na luta contra o câncer de próstata. A maioria dos homens tem resistência ao exame de toque e protelam essa decisão o quanto podem ? ou mais do que podem. E isso é um perigo, porque na fase inicial, o câncer de próstata é assintomático; o o homem não sente absolutamente nada, segundo o médico. E como o ideal para a cura é detectar antes da sintomatologia, que só se revela na fase mais avançada, em sinais como a urgência em urinar e na obstrução do canal da uretra, essa resistência pode levar a um quadro irreversível da doença. Porque quando os sintomas se revelam, o câncer já está em fase avançada. E aí vem outro tipo de sentimento: o medo das consequências do tratamento, que em boa parte dos casos é cirúrgico. O principal desses medos é da disfunção erétil e da incontinência urinária, mas, geralmente, esses males são passageiros, registrando-se apenas no início do pós cirúrgico, segundo explica o urologista Humberto Montoro.