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FONTE DE SUSTENTO, MUNDA� AGONIZA

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A Mundaú ? lagoa com maior índice de poluição de Alagoas ? é um dos alvos da Revitalização da Orla Lagunar. Nas últimas décadas a situação só piorou, principalmente próximo aos canais do Trapiche e da Levada. Sem ações para impedir o crescimento populacional, mais famílias até de outros estados foram chegando e assentamentos precários desenharam a região. O Instituto do Meio Ambiente (IMA) vai acompanhar algumas intervenções ? outras serão feitas pelos próprios órgãos fiscalizadores do Município ? durante os trabalhos de revitalização. Técnicos do IMA chegaram a participar de reunião com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). ?Chegamos a participar de reunião com o BID, mas tivemos acesso apenas ao esboço do projeto. Não temos detalhes?, revela Ricardo César Lima, coordenador de Gerenciamento Costeiro do IMA. Na avaliação de Ricardo César, os problemas na Lagoa Mundaú só serão resolvidos com importantes intervenções na região. ?O crescimento populacional foi um agravante e isso aliado aos canais do Trapiche, da Levada, lixo e materiais sedimentares acabaram prejudicando muito a lagoa?. Tudo de ruim acaba chegando à Mundaú. ?Só consegue resolver com obras de saneamento, drenagem, desassoreamento e urbanização?. SONHO ANTIGO Hoje, aos 40 anos, o vendedor de sururu Luciano Teixeira dos Santos lembra que ainda era criança quando já ouvia falar ali pelo Vergel do Lago que fariam a revitalização da Lagoa Mundaú. Pai de cinco filhos, compra o molusco de um catador, paga uma pessoa para despinicar e vende numa barraca improvisada às margens da Avenida Senador Rui Palmeira, no Dique Estrada. Luciano cobra das autoridades públicas mais atenção com a lagoa. Diz que se ela acabar, aí sim a criminalidade vai tomar conta região. ?Essa água é fonte de renda para muita gente que, se não tiver alternativa, o jeito é roubar. Se a lagoa acabar o que vai ter de assalto e bandido! Tem que dragar e tirar o lixo. Essa lagoa é uma bênção, mas desde criança que escuto essa história de revitalizar, mas nada até agora. Tudo conversa de político para ganhar a eleição?. O vendedor de sururu compra a lata do molusco por R$ 4 (que pode render até 2,5 quilos), depois paga R$ 3 para alguém despinicar e vende o quilo por R$ 10. ?Chego a vender 300 quilos por semana. Vem gente do interior só para comprar aqui?. O casal Genival Bezerra de Menezes e Maria Helena da Conceição já montou o barraco de lona preta em cinco pontos de uma avenida do Dique Estrada. Já foram expulsos por gente que se diz ?dono? da área, depois por policiais militares e também por criminosos. Enquanto um sai para conseguir o sustento com a venda de material reciclável, o outro fica tomando conta da moradia improvisada para ninguém levar os poucos objetos e alimentos que dispõem. ?Nós nunca tivemos habitação. Quando um sai o outro fica para não roubarem. A gente já perdeu muita coisa. Meu sonho era ter um canto para morar, uma residência?. Genival, que é pernambucano, diz que consegue arrecadar com a venda de plástico cerca de R$ 80 por mês. É com esse dinheiro e ajuda de algumas pessoas que eles vão vivendo. ?Tenho dois filhos, mas são pobres como eu. Vivem lá em Pernambuco, nas ruas, e não podem me ajudar?, completa Maria Helena.

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