Cidades
ALAGOANOS JOGAM OURO NAS LIXEIRAS
A embalagem plástica do biscoito, a caixa de leite, a revista velha, a garrafa de refrigerante e o resto da refeição têm o mesmo destino nas residências de grande parte dos alagoanos: o lixo. Da lixeira de casa, os resíduos são levados pelo serviço de limpeza urbana até os aterros sanitários. Porém, cada vez que um catador de material reciclável observa sua matéria-prima sendo descartada em meio ao lixo orgânico, pensa em cada centavo que deixou de ganhar por não ter coletado aquela caixa de papelão do fogão novo da ?dona Maria?. Dados preliminares de um levantamento que está sendo realizado este ano pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas (Semarh) revelam a existência de 14 cooperativas, localizadas nos municípios de Maceió, Arapiraca, Coruripe, São Miguel dos Campos, Campo Alegre, Palmeira dos Índios, Delmiro Gouveia, Piranhas, Água Branca, Pariconha e uma unidade que atende Inhapi, Canapi e Mata Grande. Nelas, estão empregados cerca de 207 catadores, com uma coleta de, aproximadamente, 180 toneladas de lixo reciclável por mês. Esses números devem ser atualizados até o fim do ano, uma vez que as cooperativas ainda estão repassando as informações. A capital ainda é o centro da reciclagem. De acordo com a Semarh, em Maceió estão instaladas quatro cooperativas, que sustentam 84 famílias de catadores. O trabalho árduo resulta no recolhimento mensal de algo em torno de 144 toneladas de lixo, número que seria maior se houvesse parcerias com shoppings e grandes supermercados da cidade. Há mais de uma década, a Cooperativa dos Recicladores de Alagoas (Cooprel), fundada pelos antigos funcionários da extinta Companhia Beneficiadora de Lixo (Cobel), tenta conscientizar a população de que a transformação dos resíduos sólidos em novos produtos é também uma forma de cuidar do meio ambiente e, ainda, garantir empregos a muitas famílias. ?O começo foi de muito sufoco, porque ninguém dava valor ao reciclável. E, ainda hoje, a gente vê que a maioria das pessoas não tem consciência de como faz bem separar o lixo. É uma questão mesmo de educação. Quando a gente passa por uma rua com dez casas, só três ou quatro colaboraram separando o lixo?, diz Maria José dos Santos Lins, presidente da Cooperativa. Atualmente, a Cooprel conta com duas estações de coleta, uma localizada no Benedito Bentes e a outra no Antares, cujo galpão já está ficando pequeno para armazenar o material ferroso e não ferroso, papel, papelão, plástico, garrafas PET e derivados. A cooperativa repassa o material coletado para um atravessador, vendido a preços por quilo, fixados em R$ 0,40 para o papelão, R$ 0,80 para a garrafa PET, R$ 3,70 para o alumínio, R$ 1,40 para as garrafas de água sanitária branca e R$ 1,20 para as coloridas. Cada catador da Cooprel lucra de R$ 350 a R$ 600, mensalmente.