Cidades
INICIATIVAS PROVAM QUE RECICLAR � O CORRETO
Com o sentimento de dever cumprido, todas as segundas e terças-feiras, a servidora pública Eryka Lessa, de 37 anos, sai de casa para o local de trabalho com o material destinado à reciclagem separado. O hábito tornou-se rotineiro há poucos meses, depois da implantação de projeto de coleta seletiva do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL). Eryka Lessa mora em um condomínio no bairro do Antares, onde não existe a coleta seletiva do lixo, mas isso não a impede de ajudar. ?Quando você junta tudo e vê o que tem de reciclável, percebe que é muita coisa pra soltar no meio ambiente e ir direto para uma única destinação. Então eu trago livros, revistas, embalagens de suco, leite, papelão. E hoje, na minha casa, separar o material reciclável tornou-se algo natural?, diz. Ela participa do Plano de Logística Sustentável do Poder Judiciário de Alagoas, conforme explica o coordenador do projeto, Alexandre Moraes. O projeto ?TJ Ecoconsciente e Solidário foi sugestão de uma servidora e é promovido na sede do Tribunal de Justiça, mas já pensamos em expandi-lo para o Fórum da Capital. A coleta interna ocorre todos os dias pelos funcionários da empresa e, nos dias de segunda e terça, os servidores podem trazer o material de casa. Em dois meses, foram recolhidas, aproximadamente, 3 toneladas de material reciclável, direcionadas à Cooplum?. Eryka conta ainda com a ajuda da filha de 5 anos. ?Quando ela passa na rua e vê alguma coisa, já diz que é reciclável, ou quando bebe um achocolatado, diz que é para separar para reciclar. E o mais importante é ensinar a destinação correta do lixo, porque se colocar tudo junto e for parar tudo no mesmo destino, não temos como reaproveitar. E o melhor é saber que estamos ajudando uma cooperativa, com famílias que dependem desse lixo que produzimos?, afirma. Apesar do exemplo de Eryka, sua filha e colegas de trabalho, quando os catadores percorrem as ruas da cidade em busca de material, ainda são discriminados e relatam ouvir piadas e ofensas. ?Lembro que a gente passava na rua e eles gritavam: burros sem rabo. E ainda tem gente que olha pra gente com um olhar desconfiado, estranho. Mas também ficamos felizes quando encontramos moradores que abrem as portas, nos tratam bem e até oferecem um cafezinho para melhorar o nosso trabalho?, contou uma das catadoras.