Cidades
Ano j� � considerado o mais violento no campo desde 2003
De janeiro a novembro deste ano foram registrados 54 homicídios no meio rural, em todo o Brasil. Quatro assassinatos a mais que o número contabilizado em 2015. Desse total, duas mortes foram registradas em Alagoas. Uma delas, o assassinato do trabalhador rural Edmilson Mesquita da Silva, o ?Misso?, 35 anos. Ele foi morto a golpes de facão e vários tiros, em setembro último, no município de Matriz de Camaragibe, região Norte do Estado. A morte de Misso, assentado desde 2002 e coordenador do Movimento de Libertação dos Sem- -Terra (MLST) para a região Norte, entra nas estatísticas da Comissão Pastoral da Terra (CPT), entidade ligada à Igreja Católica, que tem como objetivo a organização dos trabalhadores do campo. Segundo a entidade, os homicídios registrados tornam 2016 o ano mais violento no campo, situação que só ocorreu em 2003, quando a CPT contou 71 assassinatos. ?A violência no campo é uma preocupação constante. É uma pauta nossa há mais de 15 anos?, afirma o coordenador estadual da CPT/AL, historiador Carlos Lima. Ele confirma que os números recrudesceram, e a causa é a desaceleração dos processos de reforma agrária. Como há mais de quatro anos o governo não age para assegurar a quem trabalha no campo a propriedade da terra, latifundiários e posseiros tendem a retomar o embate com acampados, afirma o coordenador. De fato, os registros de violência aumentaram ao longo deste ano, reconhece Carlos Lima, ressaltando que há uma tendência de se desqualificar esses homicídios, tirando do crime a característica de questão agrária.