Cidades
Sem Terra de Alagoas vai continuar ocupa��es
As lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Alagoas receberam referendo da direção nacional e vão continuar ocupando terras que julgam improdutivas, no Estado. Descartado qualquer tipo de intervenção na coordenação estadual do movimento, seus líderes revelam que as invasões e barricadas serão mantidas independentemente de negociações com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O coordenador do MST em Alagoas, José Santino, confirma que a coordenação nacional já decidiu que não vai intervir no Estado. Satisfeito com a decisão, Santino avalia que suspender as ações seria o mesmo que abrir da autonomia do Movimento. Ele considera ofensivo até que o governo proponha uma trégua aos sem-terra, considerando principalmente o posicionamento histórico de Lula e do Partido dos Trabalhadores (PT) em relação à questão agrária. Santino deixa claro que as invasões não podem ser encaradas como um problema para o governo petista. Ao contrário, devem ser entendidas como uma contribuição do MST ao governo, que assim pode acelerar a reforma agrária no País. O coordenador disse que ao movimento cabe organizar os trabalhadores para que conquistem a terra e a cidadania, pondo fim ao latifúndio ?que promove e mantém a miséria de milhões de brasileiros?. Reunião Na última quarta-feira, 19, integrantes da Coordenação Nacional do MST participaram de reunião, em Brasília, com representantes do governo, onde disseram claramente que a paz no campo só virá se forem executadas ações concretas em favor dos trabalhadores. Jaime Amorim, um dos coordenadores nacionais, disse que os sem-terra de Alagoas ?estão passando fome, e como o governo ainda não resolveu o problema da alimentação, as invasões são normais?. A manifestação do coordenador nacional foi recebida com satisfação por José Santino, que reafirmou a política de ?tranca estrada, ocupação de terra e da sede do Incra?. Dos 62 assentamentos rurais de Alagoas, 32 são coordenados pelo MST.