Cidades
AL celebra 1� uni�o civil nos ritos do candombl�
Outros estados brasileiros, como Bahia e Pernambuco, já realizaram casamento em terreiro de candomblé com efeito civil. Garantida pela Constituição Federal desde 1988, essa celebração ocorreu pela primeira vez em Alagoas nessa sexta-feira, 16, quando a ialorixá Mirian Araújo Souza Melo, a Mãe Mirian, uniu, conforme os ditames do candomblé, Simone Rosendo da Silva, de 34 anos, e Idevaldo Fabrício Coelho, 54. O ritual reuniu dezenas de pessoas no terreiro Ilê Nifé Omi Omo Posú Beta, que, traduzido da língua iorubá, significa ?Casa de Força das Águas do Poço Betá?. O centro religioso, situado no bairro da Ponta da Terra, em Maceió, atendeu a todas as normas da lei, regularizando-se nos órgãos públicos, para empoderar-se do direito constitucional de oficializar a união conjugal de seus fiéis. ?Com essa cerimônia estamos assumindo um lugar que é nosso. Estamos valorizando e fazendo nossa religião ser respeitada?, disse Mãe Mirian, 82 anos, uma das mais antigas sacerdotisas do candomblé em Alagoas. Ela assumiu o terreiro em 1970, mas o Ilê Nifé existe desde 1950. Agora, além de atividades como aparamento de santo, confecção de roupas de santos, consultas, festas dos orixás, curas e consultas de caridade, o centro religioso comandado por Mãe Mirian tem como função realizar o casamento de todo praticante da religião que desejar realizar seu matrimônio conforme o rito candomblecista. A cerimônia histórica teve confirmação do Poder Judiciário, representado pelo juiz de Direito Carlos Cavalcante Albuquerque Filho, titular da 21ª Vara Cível da Capital. ?Vejo essa solenidade como um avanço da sociedade, em busca de um Brasil mais acolhedor, constitucional e democrático?, disse o magistrado, ao ser indagado sobre a importância do ato civil realizado num terreiro afro-brasileiro.