Cidades
AL tem pior �ndice de Desenvolvimento Infantil
Os dados são de 2001, mas a realidade é cruel para o Estado. Segundo relatório do Unicef, Fundo da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Infância, Alagoas é o último do País em Índice de Desenvolvimento Infantil (IDI). Esse índice foi criado para medir os avanços no desenvolvimento humano, a partir da educação de crianças na faixa etária de 0 a 6 anos. Maceió, revela o Unicef, tem situação ainda mais grave. É a última colocada entre todas as capitais do nordeste brasileiro. Com 723.142 habitantes em 2001, a capital alagoana aparece no relatório com o pior Índice de Desenvolvimento Infantil. Com um IDI de 0,426, está abaixo de João Pessoa (0,659), Aracaju (0,612), Terezina (0,626), São Luiz (0,698), Fortaleza (0,638), Recife (0,667) e Natal (0,651). O IDI, de forma geral, indica o nível de investimentos em políticas públicas de educação e saúde destinadas às crianças de 0 a 6 anos. Maceió perde até para o município de Barra de Santo Antônio que, com 9.164 habitantes, tem um IDI de 0,470. Quadro grave ?É um quadro gravíssimo, uma realidade inaceitável?- disse a presidente do Conselho Municipal de Educação, professora Ivanilda Verçosa. Segundo ela, as conseqüências da falta de investimento na educação infantil se tornam visíveis nos sinais de trânsito, onde se amontoam centenas de crianças, e mais ainda nas favelas e grotões de Maceió. Embora ressalte os investimento na área de saúde, a professora considera um crime o descaso em relação à educação. Do total de habitantes de Maceió, 101.124 são crianças na faixa de 0 a 6 anos de idade. Dessas, revela o Unicef, apenas 24,92% têm acesso à pré-escola. Em Aracaju (SE), cuja capital tem 428.194 habitantes, 72,41% das 53.353 crianças na mesma idade têm acesso à educação infantil. Em Teresina, a população, conforme o relatório do Unicef, é de 654.276 habitantes. Destes, 90.499 são menores até seis anos, e 61,45% estão na pré-escola. Em São Luiz (MA), a população é de 780.833 habitantes. Dos 104.273 com idade entre 0 e 6 anos, 77,86% têm educação garantida. Para definir o IDI, o Unicef considera, entre outros aspectos, o número de crianças que têm acesso a creches. Em Maceió, só 2,89% das crianças são atendidas em creches. Em Aracaju, esse percentual é de 3,76%; em São Luiz é de 4,36%; João Pessoa, 6,69%; Recife, 7,67%; Teresina, 7,44%; Natal, 3,85%; e Fortaleza, 5,11%. Problema é histórico A professora Ivanilda Verçosa é taxativa: ?Estamos cometendo um crime contra essas crianças? ? afirma ela, destacando que cerca de 70 mil menores maceioense estão sem assistência pedagógica. Diante desse quadro estarrecedor, revela Ivanilda, o Conselho Municipal de Educação está formando um movimento com a participação do Ministério Público Estadual, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional de Alagoas, movimento de mulheres e outras entidades, para enfrentar essa cruel realidade. ?Temos diante de nós uma realidade que não pode mais ser ignorada?- afirma Ivanilda Verçosa. Ela acrescenta que esse é um problema crônico e histórico, pois ao longo das últimas décadas os governos federal, estaduais e municipais, ignoraram o ensino infantil. Até a formulação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), revela a professora, a pré-escola era tratada apenas como questão de assistência social. ?Nossa luta, como educadores em todo o País, garantiu que seja tratada como questão pedagógica?- finalizou.