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LAGOA MUNDA� EST� SECANDO

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Da junção de dois termos na língua tupi (?mondá? e ?y?) formou-se ?Mundaú?. Ao pé da letra, o termo significa ?água de ladrão?. Parece até que o batizador era vidente. Previa que, no futuro, iriam usurpar, sem piedade, o bem mais precioso da Lagoa Mundaú. O ecossistema morre um pouco a cada dia, deixando para trás um rastro fétido, podre e, agora, seco. Antes verdinha, a vegetação que margeia o ambiente estuarino virou palha amarela e quebradiça. A água foi embora e deu lugar ao chão rachado, típico do cenário das regiões sertanejas. Protagonistas da lagoa, os pescadores, só têm a lamentar. Alguns não escondem as lágrimas. Sentem que padecem na mesma proporção do local de onde ainda retiram o sustento. A Lagoa Mundaú tem cerca de 27 km² e constitui o baixo curso da bacia hidrográfica do rio Mundaú, que drena uma área de 4.126 km² e percorre 30 municípios, tendo oito sedes municipais ribeirinhas. Junto com a Manguaba, ela forma o Complexo Estuarino Mundaú-Manguaba, que afeta direta e indiretamente uma população estimada em 260 mil habitantes que vivem no seu entorno, dos quais 5 mil são pescadores. Quando chegou à comunidade de Fernão Velho, há 42 anos, Noel Marcelo do Nascimento já sobrevivia da pesca. Nasceu em Santa Luzia do Norte e aprendeu com o pai e os tios o ofício. Lá, começou as primeiras aventuras na caça aos peixes. Quando veio a Maceió, diz que encontrou a lagoa transbordando, cheia de vida aquática. Dava gosto, diz ele, de sair para pescar cedinho e no fim da tarde. ?O barco voltava cheio. Eram cinquenta, sessenta quilos de peixes nobres?, lembra o pescador, ressaltando que viveu esta época áurea até uns dez anos atrás. O que ele enxerga agora? Somente poluição, despejada às toneladas o tempo todo por esgotos domésticos e despejos industriais; além de contaminação do solo e do lençol freático, comprovada por pesquisas feitas pelos órgãos ambientais; assoreamento acelerado da lagoa com deposição de sedimentos; parcelamento inadequado do solo e construções impróprias nas orla lagunar; queima, corte e aterro de manguezais; ocupação das encostas dos tabuleiros; redução dos estoques e contaminação dos pescados.

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