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Fam�lias s�o retiradas de terreno

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O clima ficou tenso, ontem, durante cumprimento de mandado de reintegração de posse na localidade conhecida como Campo do Tejo, que fica entre os bairros do São Jorge e Barro Duro, em Maceió. Mais de 400 moradias começaram a ser demolidas, expulsando famílias que viviam na área há mais de uma década. Quando as primeiras casas começaram a ser derrubadas, alguns moradores se revoltaram e foi necessária uma intervenção mais enérgica por parte da Polícia Militar (PM). As demolições iniciaram por volta das 6 horas da manhã e foram acompanhadas por 15 oficiais de Justiça, que cumpriram a ordem expedida pelo desembargador Tutmés Airan, com o suporte 100 militares do Centro de Gerenciamento de Crises, Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), do Corpo de Bombeiros, além de representantes do Conselho Tutelar, Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) e Eletrobras. A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos hoje à tarde. Os moradores disseram que foram pegos de surpresa quanto à reintegração de posse. Severino Brasiliano morava na região há 17 anos com mais três pessoas. Disse que não tinha para onde ir agora, que não dispunha da escritura do imóvel e que não foi avisado antecipadamente do que estava prestes a ser feito. ?Já tinham vindo aqui com a intenção de retirar a gente da casa, mas nunca com esse jeito. Não sei o que vamos fazer a partir de agora, que perdemos o local onde morar?, lamenta. Cláudio Lima, outro morador da localidade, também confirmou que o despejo surpreendeu pela ausência de aviso prévio. Segundo ele, ano passado, oficiais de Justiça apareceram com ordem de reintegração com prazo de quinze dias para desocupação da área. No entanto, a vizinhança revela que se reuniu e ingressou com recurso e uma liminar suspendeu a determinação. ?Depois, retornaram outras duas vezes, porém estávamos cobertos pela Justiça. Temos, até agora, uma autorização de permanência e não entendemos por que agiram dessa maneira contra a gente. Quem veio derrubar as casas não apresentou qualquer ordem e nem nos avisou antecipadamente. Vieram de surpresa para não nos dar chance de defesa?, acredita Cláudio. O grupo criticou severamente o desembargador Tutmés Airan, autor da decisão de reintegração de posse. ?É inadmissível dar posse a uma empresa que não dispõe dos documentos das terras e aqui nenhum lote está dividido?, completa Cláudio Lima. Os moradores lembram de várias tentativas de acordo para que a desocupação ocorresse pacificamente, inclusive com a promessa de que as famílias seriam transferidas para outra área de grota, apesar da resistência de muitos. Mesmo assim, nem essa transferência vai acontecer.

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