Cidades
Fam�lia de Abinael cobra justi�a
Oito testemunhas foram ouvidas, ontem, na primeira audiência de instrução do processo relativo ao assassinato do jovem Abinael Ramos Saldanha, ocorrido em junho do ano passado. Familiares e amigos da vítima se reuniram no Fórum de Maceió para um ato que tinha como objetivo cobrar justiça ao caso, exigindo que os suspeitos fossem condenados e recebessem a pena máxima. Nesta fase do processo, o Poder Judiciário vai analisar as provas coletadas pela Polícia Civil, ainda durante o inquérito, e os argumentos apresentados pelo Ministério Público Estadual (MPE) para denunciar os réus. Ao fim da instrução, a Justiça vai decidir se pronuncia os acusados, levando-os a júri popular ou se remete os autos para arquivamento. O caso está em tramitação na 3ª Vara Criminal de Rio Largo, local onde o corpo de Abinael foi encontrado em um canavial, uma semana após o desaparecimento. No entanto, o magistrado titular daquele Juízo, Galdino José Amorim Vasconcelos, decidiu que as testemunhas arroladas que não residem naquele município seriam ouvidas nas respectivas cidades de domicílio. Em Maceió, portanto, foram convocadas oito pessoas para prestar esclarecimentos na 2ª Vara Criminal da Capital. Os interrogatórios foram feitos pelo juiz Sóstenes Alex Costa de Andrade e acompanhados pela promotora Mirya Ferro e pelo advogado João Carlos Uchôa, contratado pela família de Abinael. Entre os que foram convocados, estavam Alexandre Neto, proprietário da empresa onde a vítima trabalhava, e um dos amigos do jovem, Regivaldo Clementino. A Justiça ouvirá os dois por meio de videoconferência. Eles moram e trabalham em Aracaju-SE. Pela explicação dada pela assessoria do Tribunal de Justiça (TJ) de Alagoas, as gravações com os depoimentos serão encaminhadas à 3ª Vara Criminal de Rio Largo. Em Maceió, três testemunhas foram arroladas pelo Ministério Público Estadual e cinco pela defesa. Entre os depoentes estava o vendedor Walley Saldanha, de 23 anos, irmão de Abinael. Exatamente oito meses após o desaparecimento da vítima, ele diz que a família ainda tenta conviver com a saudade e busca administrar o sentimento de revolta causado pela maneira como o crime foi praticado e com motivo banal. ?Viemos ao Fórum como uma maneira de expressar nossa indignação e com o intuito de pedir justiça. Não queremos que o caso seja esquecido, que avance, que os acusados sejam condenados e recebam a pena máxima?, comentou. Segundo ele, a angústia é muito grande a cada dia que se passa. Apenas uma simples lembrança de Abinael gera enorme tristeza nos parentes mais próximos, conforme ele revela. A então noiva do jovem, Kelly Oliveira, também foi ouvida ontem. Ela faz questão de frisar que, apesar das atenuantes, os réus devem ser condenados e diz não esconder a ansiedade para que eles sejam submetidos a julgamento o quanto antes. ?Esperamos que todos peguem, no mínimo, a pena máxima?, afirma Kelly, referindo-se a Ericksen Dowell, que era amigo da vítima e teria encomendado o crime. O assassinato de Abinael Saldanha teve grande repercussão, à época, até por causa do desfecho do inquérito relatado pela Polícia Civil. A vítima, segundo a investigação, teve a morte encomendada por R$ 6 mil por pura inveja de um colega de trabalho (no caso, Ericksen). Além dele, outras três pessoas foram presas acusadas de executar o crime. São eles: Jalves Ferreira, Jonathan Barbosa e Deivison Bulhões. Todos serão ouvidos no dia 20 por meio de videoconferência, já que não podem sair do presídio.