Cidades
� ESPERA DE CLIENTES
Percorrer os becos do Mercado do Artesanato, na Levada, em Maceió, é encontrar olhares desesperançosos o tempo todo. Gente que espera há anos mais movimento de turistas e melhora nas vendas. Entra ano e sai ano e o lucro só cai e tirar o sustento da comercialização de produtos artesanais está cada vez mais difícil. O mesmo desalento está estampado nos rostos de Érica e Neide, que trabalham no Mercado do Artesanato e na Praça Lions, na Pajuçara, em Maceió. Mulheres fortes que tentam garantir a sobrevivência com a venda de artesanato. Há dias em que não vendem nada e, o pior, veem o futuro com pessimismo. Voltam para casa após horas de trabalho muitas vezes sem um real no bolso. Érica Patrícia de Oliveira Silva diz que a movimentação está péssima no Mercado do Artesanato e que, mesmo trabalhando de domingo a domingo, está difícil continuar no ofício. Reclama que faltam turistas e da falta de estrutura para receber visitantes. ?Só vem ônibus aqui com turista de vez em quando. Já passei até três dias sem vender nada?, conta. As peças vendidas no boxe de Érica vêm de Fortaleza, no Ceará, e de Marechal Deodoro, em Alagoas. ?Têm meses que só consigo tirar R$ 300. Está muito fraco. Chego de manhã para trabalhar e só saio de 17 horas. A situação está difícil para todo mundo que trabalha aqui?, lamenta Érica. Nem os preços considerados convidativos são certeza de boas vendas e lucro na Levada. A reportagem da Gazeta de Alagoas passou parte de uma manhã no local e encontrou poucas pessoas comprando e apenas uma turista no Mercado do Artesanato. ?Estou aqui mais para olhar mesmo e checando os preços. Fui a outros lugares que vendem artesanato e vi que o preço aumentou muito?, conta a administradora Ivone Garcia, que mora em Manaus e está em Alagoas pela primeira vez. Silvany Joyce Alves do Santos trabalha há um ano em um dos mais tradicionais pontos de comercialização de produtos artesanais, o Mercado do Artesanato. Ela engrossa o coro de outros que pagam taxa de R$ 36 por mês à Prefeitura de Maceió para garantir um boxe. ?O movimento está muito fraco. Tem fim de semana que conseguimos vender algumas peças a turistas, mas é raro?. Leia mais na página C3