Cidades
FEIRINHA DA PAJU�ARA � UMA SITUA��O � PARTE
Deivid Albuquerque diz que a movimentação na Feirinha de Artesanato da Pajuçara já começou a cair, mas a situação por lá é bem menos crítica do que no Mercado de Artesanato da Levada. ?A alta temporada para nós é só janeiro. Quando passa esse mês, a gente só vende o que dá para sobreviver, mesmo assim é possível tirar o sustento, sim?. Há 19 anos, José Carlos Pinheiro vende artesanato na Feirinha da Pajuçara. Começou junto com o início das atividades de uma das feiras mais tradicionais de Maceió, isso na década 1990. Gosta do que faz e desde cedo aprendeu com a mãe a bordar toalhas e guardanapos, que tem garantido seu sustento. Integrante da Associação da Feirinha da Pajuçara ? que conta com 200 boxes ? afirma que a taxa paga à prefeitura é de R$ 97. ?Tiro o sustento daqui. A gente consegue vender todos os dias?. Questionado sobre o quanto arrecada, afirma que mensalmente tira de R$ 1.500 a R$ 2 mil. Já a vendedora Lidiane dos Santos considera que a venda já começou a cair. ?Em janeiro foi bom, mas quando passa o carnaval as vendas já começam a cair?. A assistente social Fabielle Brondani Severo chegou a Alagoas no carnaval. Quando viaja pelos estados, costuma conhecer e gastar com o artesanato local. ?Achei o preço bem acessível. Gastei apenas R$ 60 com presentes para a família e amigos?, diz a turista do Rio Grande do Sul. OS GUERREIROS Dona Neide de Oliveira Santos é só decepção. Remanescente ainda do antigo Cheiro da Terra, ela agora está com sua barraca na Praça Lions, na Pajuçara. ?Tem dois meses que estamos aqui. O movimento é muito fraco. Vêm pouquíssimos turistas e têm dias que não vendo nada. É muito triste dizer isso?. A aposentada Neide tem 64 anos e décadas de luta fazendo e vendendo artesanato. ?Não está dando para tirar o sustento. Compro peças, faço bordados em toalhas e em almofadas, faço crochê. Gosto do que faço, mas está difícil. Depois do Cheiro da Terra e da Praça Sinimbu o ?Guerreiros? acabou?. Em dezembro de 2005, um incêndio atingiu o Cheiro da Terra, que ficava na orla de Jatiúca. Desde então, os artesãos que comercializavam no local foram remanejados para vários locais. RC