Cidades
Moradores de rua fazem da Pra�a Deodoro um lar
Sem laços sanguíneos, uma ?família? constituída por dois jovens, uma criança, uma mulher e dois cachorros divide a mesma sombra de árvore, as dificuldades de se viver na rua e o vício de cheirar cola de sapateiro. Essa é mais uma história vivenciada pelas calçadas da Praça Deodoro, localizada no centro de Maceió, que se tornou abrigo para diversos sem-teto, como observou a reportagem da Gazeta na manhã de ontem. Moradora de rua há 20 anos, Fabiana Alves dos Santos, 34 anos, se sentiu perdida e desamparada depois que a mãe de criação morreu quando ainda era uma adolescente. Sem os pais, foi para rua, pois não aceitava as condições impostas pela tia. Com 15 anos, teve o primeiro filho, que foi retirado de Fabiana pela irmã e entregue para uma família. Já na rua, engravidou mais quatro vezes, do mesmo parceiro, e nasceram: Alice, Robson, Albina e Artur Ítalo. Portadora do vírus HIV, Fabiana Alves teve a vida marcada por perdas. Os filhos Alice e Robson morreram quando ainda eram bebês. Albina tinha 13 anos, quando foi espancada, há aproximadamente 4 anos, por outros moradores de rua para roubarem seus pertences. E Artur Ítalo, 16 anos, é reeducando acusado de participação em um crime. O sonho de Fabiana é trabalhar e ter uma casa. ?Quando meu filho voltar, eu não quero mais viver nas ruas?, declara. Acompanhada pela Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), Fabiana já foi internada para tratar do vício. E as equipes de saúde e assistentes sociais vêm novamente realizando os procedimentos para uma internação. Porém, a moradora de rua tem se negado a retomar o tratamento de desintoxicação. *Sob supervisão da editoria de Cidades