Cidades
Ciclistas e pedestres disputam espa�o em Macei�
FÁTIMA ALMEIDA As bicicletas estão por toda a parte. Minuto a minuto elas cruzam rodovias, invadem calçadas, fazem ziguezague na frente de veículos, circulam pela contramão, assustam pedestres e seguem seu caminho impunemente. Isso acontece porque não existem ciclovias adequadas em Maceió. As poucas disponíveis acabaram se transformando, naturalmente, em pistas de cooper. Sem ciclovias, não há regras para normatizar esse tipo de transporte nas ruas e avenidas, a não ser o bom senso, que parece ser um privilégio de poucos. Os ciclistas (ou bicicleteiros, como deveriam ser chamados os que utilizam o veículo como meio de transporte) não precisam de habilitação e pelas leis brasileiras de trânsito a bicicleta não precisa atender aos requisitos exigidos para os veículos automotores: não têm placa de identificação, nem farol, não necessitam de registro nos órgãos de trânsito e em geral não possuem luzes noturnas ou qualquer tipo de sinalizador. Não é raro o motorista de veículo automotor ter que frear bruscamente para evitar um acidente grave contra um ciclista que cruza de repente à sua frente. Com jeito de vítima, o condutor da bicicleta faz cara feia, equilibra-se em seu veículo e segue seu caminho, cometendo as mesmas imprudências, como se nada tivesse acontecido. Às vezes eles trafegam em grupos de três, quatro... emparelham, se espalham, sem sequer olhar para o lado. ?Eles acham que a pista é deles, atravessam na nossa frente sem o menor sinal e ainda reclamam. Parece que esse pessoal não tem medo de morrer num acidente?, diz o motorista Olival Correia, residente na Pajuçara. ?Os motoristas não respeitam o ciclista. Botam pra cima da gente e reclamam porque andamos no acostamento. Por onde é que devemos andar??, rebate o ciclista Floriano Vieira, que utiliza a bicicleta para ir de casa para o trabalho, percorrendo, diariamente, parte da Avenida Fernandes Lima. A polêmica envolve mais gente. O pedestre também se sente ameaçado, sobretudo aquele que faz caminhadas diárias de cooper, na orla marítima. ?Como não há ciclovia adequada, eles invadem o passeio e prejudicam nossa caminhada. Às vezes acontecem até acidentes. Outro dia eu fui literalmente atropelado por uma bicicleta, quando caminhava na orla da Pajuçara?, diz o empresário Sérgio Falcão. ?Alguns pedestres invadem a nossa área. Isso aqui deveria ser uma ciclovia?, rebate o ciclista Luciano Cardoso, que também usa o passeio da Pajuçara para suas pedaladas diárias. A dúvida tem razão de ser. Na pista, que vai do Posto 7, na Jatiúca, até a Pajuçara, não há nenhuma sinalização que a identifique como área de cooper ou ciclovia. Mas segundo o secretário Municipal de Controle e Convívio Urbano (SMCCU), Manoel Tenório, a pista da orla de Maceió é uma ciclovia. Ele diz que existem outras em Maceió, como a da Praia da Avenida, em recuperação, e uma na Avenida Leste-Oeste (orla lagunar). É pouco, na opinião do empresário Sérgio Falcão. Além de mal cuidadas, as ciclovias não atendem, por exemplo, ao grande número de pessoas que utilizam bicicletas para o deslocamento de casa para o trabalho. ?Por falta de espaço, o ciclista ou atropela ou é atropelado?, observa. Ele defende que as ciclovias existentes sejam sinalizadas, e que outras sejam construídas. Sugere o canteiro central da Avenida Fernandes Lima como alternativa. O problema das bicicletas no trânsito envolve ainda outras vertentes, inclusive de legislação. ?Em países como os Estados Unidos, Canadá e França, as bicicletas têm que obedecer aos limites impostos pelas leis de trânsito, são emplacadas e sujeitas a multa: US$ 50 dólares, em média, por infração?, diz Sérgio Falcão. No Brasil as bicicletas não estão enquadradas nas regras prescritas para outros veículos no Código de Trânsito. ?Fica difícil autuar um ciclista. Não teríamos como identificar o condutor, porque ele não tem habilitação, e nem o veículo porque ele não é emplacado. Também não temos como registrar a infração, porque não tem nada previsto no Código de Trânsito Brasileiro?, disse um guarda de trânsito da Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito de Maceió (SMTT). Sérgio Falcão defende que Maceió dê o exemplo implantando uma regulamentação para esse tipo de transporte. ?A bicicleta é um meio de transporte e tem que ser regulamentado como tal, tem que ter sinalização?, defende. Ele até já fez contato com alguns vereadores de Maceió para defender a idéia. A idéia não está muito longe de acontecer. Segundo o diretor de Educação de Trânsito da SMTT, Sebastião Canuto, já existem estudos na Prefeitura de Maceió visando disciplinar os veículos de tração animal, com vistorias de itens de segurança, capacitação dos condutores e emplacamento. ?A próxima etapa pode ser os veículos de tração humana, categoria em que se enquadram as bicicletas. Já se comenta essa necessidade?, observa. Enquanto as leis não vêm, a única maneira de diminuir os problemas é a conscientização. É com isso que a SMTT tem se preocupado e já desenvolveu algumas campanhas voltadas para o ciclista, com recomendações de segurança para si e para o pedestre, com quem, na maioria das vezes, divide espaço. Mas as recomendações, do tipo ?trafegar no acostamento, evitar avenidas movimentadas, sinalizar com as mãos quando for realizar manobras e conversões, não trafegar pela contramão, não pegar carona na traseira dos ônibus e caminhões e não se movimentar ziguezagueando no trânsito?, não têm surtido o efeito desejado. ?É preciso que cada um faça a sua parte no trânsito?, diz Canuto. Ele acha que o grande problema das bicicletas é a indisciplina e a imprudência de quem as conduz. ?É preciso que motoristas, ciclistas, motociclistas e pedestres respeitam os limites e a dinamicidade do trânsito?. /// Como o ciclista deve proceder - A bicicleta deve ser equipada com campainha, sinalização noturna traseira, lateral e nos pedais, espelho retrovisor do lado esquerdo; - Andar sempre pelo lado direito da via, perto do meio-fio e no mesmo sentido dos outros veículos; - Quando estiver em grupo, andar sempre em fila única; - Não pegar carona em outros veículos; - Segurar o guidom com as duas mãos, salvo para indicações de manobras; - Sinalizar com o braço quando pretender entrar numa via, ou quando for parar; - Cuidado ao passar por carros estacionados. As portas podem abrir e causar acidentes; - Não faça malabarismo, nem equilibre-se apenas em uma roda; - Andar com roupas claras quando for pedalar à noite; - Não conduzir a bicicleta pelas calçadas, espaço reservado ao pedestre; - Não transportar passageiros fora da garupa; - Olhar sempre para todos os lados antes de fazer qualquer movimento; - Andar apenas em locais permitidos, de preferência em ciclovias; - Respeitar a faixa dos pedestres; - O ciclista desmontado, empurrando a bicicleta, equipara-se ao pedestre em direitos e deveres * Fonte: folder produzido pelo Detran da Paraíba