Cidades
AL IMPORTA MAIOR PARTE DO PESCADO
Apesar de possuir o mercado de pescado que mais importa, a previsão é de que Alagoas cultive, por mês, de 250 a 300 toneladas de tilápias e tambaquis. Estas são as espécies mais comercializadas. Enquanto a aquicultura cresce, consolidando-se numa posição de destaque nacional, a pesca artesanal continua caindo. Pesca artesanal e aquicultura não se misturam, seguem rumos distintos e cada vez mais distantes. E em Alagoas não é diferente. A Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (Seagri) aponta a produção de camarão, em Piaçabuçu, como destaque de organização no setor. O nosso crustáceo ? já defumado ? vai para a Bahia e tempera o acarajé de lá. E, mesmo despontando, ainda está todo no mercado informal. ?Apesar da organização, tem diminuído a produção do camarão por causa da pesca excessiva e devido à crise hídrica. Muito de quem traz o alimento é o rio. Como o rio foi drasticamente impactado pela ausência de chuva, principalmente em Minas Gerais, o São Francisco não está jogando tanta lama e complica a produção de camarão?, declara o engenheiro de pesca e assessor especial da Seagri, Edson Maruta. A secretaria não dispõe de estatísticas detalhadas sobre o potencial pesqueiro em Alagoas, devido à informalidade do mercado. ?Porque todo esse comércio do pescado em Alagoas está na informalidade. Até o setor mais organizado do Estado, que seria a pesca de camarão de Piaçabuçu, está no mercado informal. O mesmo acontece com o sururu: a produção é tão grande, mas não há números exatos?. Segundo Edson Maruta, a pesca artesanal concentra-se nos apetrechos e na embarcação. Já o aquicultor não, ele tem que investir numa infraestrutura de produção. ?O insumo dele é a ração. É um empreendimento. Então, o raciocínio desse aquicultor é como de um criador de galinha, de suínos, de ovelhas, não de um pescador?, detalha. Maruta lembrou que ? em Alagoas ? um dos poucos casos em que houve êxito de transformar pescador em aquicultor, foi a produção de ostras. ?Uma marisqueira, que também é extrativista, passou a cultivar ostras. Mas na ostra você só tem manejo, não tem que comprar ração, por exemplo. No peixe, isso representa de 60% até 70% do custo de produção. Muda todo conceito?, explica. O aquicultor apura mais recursos, mas é preciso levar em consideração que, entre o apurado e o lucro, é preciso fazer investimento. ?Ele tem que deixar uma reserva, de 70% ou 80% do recurso para o novo cultivo. Pesca artesanal e aquicultura são dois mundos antagônicos?, explicou o engenheiro de pesca.