Cidades
Pesca com explosivos � denunciada
Roteiro/Barra de São Miguel ? Engenheiros da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (Seagri) denunciaram, na manhã de ontem, que a prática ilegal da pesca com explosivos vem ocorrendo com frequência nos municípios da Barra de São Miguel e Roteiro, no Litoral Sul de Alagoas. A atividade irregular tem causado danos gravíssimos ao ecossistema da região, ao mesmo tempo em que compromete a fonte de sustento de centenas de famílias. Diante das reclamações, feitas por pescadores, de que a quantidade de pescado está diminuindo, o engenheiro agrônomo da Seagri, Edson Maruta, conta que foi formada uma equipe para investigar as causas desse problema. ?Segundo os nossos técnicos, vários fatores contribuem para a redução [do pescado], mas, principalmente, e isso foi unânime, o uso indiscriminado de explosivos para capturar os pescados por parte de alguns profissionais que são chamados de ?falsos pescadores? ? que não vivem da pesca?, diz. A prática ilegal, segundo Maruta, é registrada entre a Barra de São Miguel e a comunidade de Palateia, principalmente na área da Lagoa do Roteiro, que fica sob a ponte na AL-101 Sul. ?Não é todo dia que acontecem explosões. São, principalmente, quando a água está mais turva. Os moradores denunciam que, há quinze dias, aqui parecia o Vietnã, devido à quantidade de explosões que estavam acontecendo. E, com isso, muito pescado morre?, conta. O uso do explosivo durante a pesca facilita a captura dos peixes, no entanto, além de comprometer a qualidade do alimento ? muitos exemplares ficam destroçados ?, causa outros grandes estragos. ?Os pescadores relataram que somente uma embarcação pegou mais de 150 quilos de uma vez, sendo que a pesca média da região não passa de 10 a 12 quilos por saída. É um processo egoísta, que acaba prejudicando a todos. Eles capturam os maiores peixes, mas, e os alevinos, as larvas, os peixes de menor valor comercial que ficam jogados e estragando toda uma base de sustentação de pesca na região??, ressaltou. Conforme pescadores locais, que não quiseram se identificar, é um grupo com cerca de 15 a 20 pessoas que realiza a prática indiscriminada, no meio de, aproximadamente, 400 pescadores que estão inseridos na Colônia da Barra de São Miguel.