Cidades
A ETERNA BUSCA PELA CURA DO C�NCER
Quando a substância fosfoetanolamina foi apresentada aos brasileiros como possível redenção para o câncer, não havia como impedir que a crença da cura impactasse aqueles que enfrentam a doença. Os dias passaram e, em abril do ano passado, uma lei autorizou pacientes a fazer uso da ?pílula?, mas a medida acabou suspensa por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e, em março último, a pesquisa foi interrompida por falta de eficácia. Para os especialistas, o câncer é um tipo de doença cujo não se deve pegar atalhos. É preciso prevenir, tratar de forma correta, mas, infelizmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) não oferece as condições ideais para o acompanhamento. Então, uma ponta de esperança pode representar muito. Pode representar passos para a cura. Questionado sobre a polêmica que envolve a substância fosfoetanolamina ? a pílula do câncer ? que seria utilizada para fins terapêuticos, o médico oncologista Raphael Torquato diz que ?houve uma comoção nacional sobre essa droga, porque acomodou no mesmo barco vários pacientes que não tinham acesso ao tratamento de primeira linha?. ?Primeiro é bom falar sobre o histórico de tratamento do câncer no SUS no Brasil em termo percentuais. Três quartos da população brasileira só tem acesso ao SUS e obviamente existe um deficit de atenção na parte oncológica no SUS quando se compara com o privado. E essa realidade é cada vez maior?, lembrou o médico. O abismo entre o tratamento na rede privada e pública penaliza brasileiros. Sem suporte e sem opção terapêutica, desamparada, a população se desespera. ?Obviamente o que aconteceu no Brasil foi isso. Vários pacientes chegavam bem depois de uma segunda ou terceira linha de tratamento oncológico, o SUS não oferecia opção e aí é muito fácil apelar para a situação de desespero. Gente que não teve acesso ao tratamento adequado e viu na pílula uma esperança de cura, como se fosse a salvadora da pátria?, diz.